quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um cometa a caminho de Marte

Em dez dias, um cometa passará de raspão por Marte. Não deve colidir, mas vai zunir a apenas 132 mil quilômetros de distância da superfície do planeta vermelho. É cerca de um terço da distância entre a Terra e a Lua. Fosse esse encontro por essas bandas, eu estaria apavorado. Mas o bom é que não é, e de quebra temos uma flotilha de espaçonaves em Marte para registrar tudo.

Fonte: Portal UOL/Folha

Concepção artística do cometa Siding Spring a caminho de Marte. Vai errar por pouco.

A Nasa apresenta hoje à tarde ao público seus planos científicos para a ocasião, que incluem um esforço inusitado. Os jipes Opportunity e Curiosity vão fazer hora extra e trabalhar à noite.
Trata-se de uma grande e fortuita oportunidade para estudar um objeto singular. Afinal de contas, o cometa Siding Spring, descoberto no ano passado, não é como seus colegas já visitados por outras espaçonaves. Enquanto cometas como o Halley e o 67P/Churyumov-Gerasimenko (que está sendo visitado pela sonda europeia Rosetta neste exato momento) têm órbitas relativamente modestas, implicando passagens frequentes pelas redondezas do Sol, o Siding Spring é um daqueles cometas que vêm de uma misteriosa região nos confins do Sistema Solar, a chamada nuvem de Oort. Ele viaja numa rota hiperbólica, o que significa dizer que fará agora sua primeira passagem pelo interior do Sistema Solar e, se sobreviver à aproximação máxima do Sol, provavelmente jamais retornará à nossa vizinhança.
Em suma, enquanto todos os cometas que conhecemos de perto já estavam “gastos” pela ação do Sol, o Siding Spring deve estar praticamente como veio ao mundo — um pedaço de gelo e rocha de 4,6 bilhões de anos, remanescente do processo que formou os planetas. É uma chance de ouro. “Nós nunca vimos um desses cometas de perto. Nunca. Não sabemos o que esperar”, diz Karl Battams, especialista em cometas da Nasa.
O estudo desses objetos têm duas conexões interessantes. Eles oferecem lampejos sobre a origem dos sistemas planetários e, por terem grandes quantidades de moléculas orgânicas, também são vistos como possíveis semeadores de compostos precursores da vida em mundos como o nosso.

A SORTE FAVORECE OS EXPLORADORES
De vez em quando a natureza resolve dar uma mãozinha à humanidade em sua incansável busca pelos segredos do Universo. Sobretudo quando o assunto é cometas. Em 1994, vimos o estrago que uma colisão pode causar, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 trombou com Júpiter. Por sorte, tínhamos a sonda Galileo chegando por lá no mesmo momento, o que favoreceu as observações.
Desta vez, uma pancada é improvável. O que veremos será a interação da atmosfera do cometa (gerada pela evaporação de compostos voláteis, como água, conforme o astro avança em direção ao Sol) com a atmosfera do planeta vermelho. E, de novo, por sorte temos duas sondas especializadas no estudo do ar marciano que acabaram de lá chegar: a americana Maven e a indiana MOM.
Todas as precauções estão sendo tomadas para que as espaçonaves corram poucos riscos de danos durante o encontro. E há razão para preocupação: estima-se que, no espaço de poucos dias, elas sofram com impactos de pequenos detritos do cometa que equivalem a cerca de cinco anos de incidência média de meteoritos.
A prioridade, naturalmente, é a segurança das missões. Mas todas as sondas em operação devem fazer observações. Isso inclui as americanas Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, além da europeia Mars Express e as duas recém-chegadas. E até mesmo os jipes robóticos Opportunity e Curiosity vão entrar na dança, tentando tirar fotos do cometa e colhendo dados de sua composição.
O duro é que astronomia na superfície de Marte é como na Terra: a não ser que o objeto de estudo seja o Sol, as observações devem ser feitas à noite. Para os robozinhos, isso consiste em uma desafio especial, pois os equipamentos precisam trabalhar a temperaturas muito baixas, inferiores a -70 graus Celsius. Normalmente, eles “dormem” durante a noite, para conservar a energia de suas baterias. Mas vale a pena abrir uma exceção para uma ocasião como essa.
Então anote aí: dia 19 de outubro, temos um encontro com o cometa Siding Spring, ao vivo de Marte. O Mensageiro Sideral, claro, estará de olho e trará todos os detalhes. Fique ligado!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Plutão pode retomar condição de planeta

Rebaixado' de categoria, Plutão pode retomar condição de planeta

Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de 'planeta anão'.
Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica retomou debate sobre questão.
Da EFE - via Portal G1
Concepção artística mostra Plutão (disco maior) e suas possíveis luas (Foto: NASA, ESA and G. Bacon (STScI))

Plutão foi rebaixado em 2006 à categoria de "planeta anão", mas oito anos depois o debate sobre o status desse corpo celeste renasceu no Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (CfA), nos Estados Unidos.
"Queríamos que as pessoas voltassem a falar sobre isso", afirmou à Agência EFE a especialista em Relações Públicas da instituição, Christine Pulliam, ao ser perguntada por que um dos centros mais destacados em astrofísica voltava a discutir a descaracterização do planeta como tal.
Há oito anos, em 2006, mais de 2.500 especialistas de 75 países se reuniram em Praga, na União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês), e estabeleceram uma nova definição universal do que seria considerado um planeta.
Esta definição distinguiu oito planetas "clássicos" que giravam em órbitas ao redor do Sol e deixava de fora corpos "anões", como Plutão, que ficou no mesmo nível que os mais de 50 corpos que giram em torno do Sol no cinturão de Kuiper.
Porém, os defensores do "patinho feio" do Sistema Solar não se renderam e inclusive fizeram manifestações pedindo aos cientistas que voltassem a admitir a Plutão no clube dos grandes, clamando que "o tamanho não importa".Por isso, oito anos depois e a menos de um ano para que aconteça, em Honolulu (Havaí, EUA), a Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), o Centro Harvard-Smithsonian voltou a abrir o debate. Para isso, convidou três especialistas com opiniões diferentes.O historiador cientista Owen Gingerich, que presidiu o comitê de definição de planetas da IAU, defendeu o status de Plutão como planeta de um ponto de vista histórico e argumentou que "um planeta é uma palavra culturalmente definida que muda com o tempo".Como pôde a União Astronômica Internacional dizer que Plutão era um planeta anão e depois negar-lhe a posição de planeta? Que era, então, só um anão? Gingerich considera que a IAU fez um "abuso da linguagem" ao tentar definir a palavra planeta e que, por isso, não devia ter expulsado Plutão.
O ponto de vista contrário foi defendido pelo diretor associado do Centro de Planetas Menores, Gareth Williams, que apoiou a exclusão de Plutão e definiu os planetas como "corpos esféricos que orbitam ao redor do sol e que limparam seu caminho", ou seja, que tiraram sua órbita de outros astros.
Por sua vez, o diretor da Iniciativa Origens da Vida de Harvard, Dimitar Sasselov, argumentou que um planeta é "a massa menor esférica da matéria que se forma ao redor das estrelas ou restos estelares", o que, segundo sua opinião, devolve Plutão ao clube planetário.
No final das conferências, um público de todas as idades lembrou seus velhos livros e votou a favor do retorno do antigo nono planeta do Sistema Solar a essa condição.
Na realidade, desde seu descobrimento, em 1930, pelo americano Clyde Tombaugh, Plutão foi objeto de disputas, sobretudo devido a seu tamanho, muito menor que o da Terra, e inclusive que o da Lua.