sexta-feira, 25 de abril de 2014

Um planeta sem sol

Um cientista americano acaba de descobrir um planeta órfão, que não tem sol. Ele está flutuando pelo espaço, não muito distante do Sistema Solar. O achado vem se somar a outros para consolidar cada vez mais a noção de que é difícil estabelecer uma separação clara entre planetas e estrelas.

POR SALVADOR NOGUEIRA - Portal Uol


Um planeta órfão e solitário, vagando pelo espaço sem a companhia de uma estrela-mãe

O novo objeto, que atende pela feiosa designação WISE J085510.83–071442.5, tem entre 3 e 10 vezes a massa de Júpiter — é um gigante gasoso, portanto — e, como seria de se esperar de um astro que não gira em torno de uma estrela, é frio. Sua temperatura estimada gira entre -48 e -13 graus Celsius. Aliás, só não é mais frio que isso porque provavelmente ainda retém algum calor proveniente de seu processo de formação. E ainda bem, porque é o fato de não ser completamente congelado que permitiu sua detecção, por meio de um suave brilho em luz infravermelha detectado pelo satélite Wise, da Nasa.
O achado tem chamado a atenção dos astrônomos por duas razões: primeiro porque é o astro mais frio desse tipo já detectado. Segundo porque ninguém sabe direito como chamá-lo. O autor da descoberta, Kevin Luhman, da Universidade Estadual da Pensilvânia, preferiu defini-lo como uma “anã marrom”. Essa classe de objetos é composta por estrelas “abortadas”, que não conseguiram reunir massa suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio em seu núcleo e, por isso mesmo, não “acenderam”. Só que parte da comunidade astronômica traça a linha entre planetas e anãs marrons num limite de 13 vezes a massa de Júpiter. Seguindo esse critério, o achado seria um planeta órfão, e não uma anã marrom.
A sugestão vem do fato de que, com mais massa que isso, o objeto consegue ao menos fundir deutério (versão mais pesada do átomo de hidrogênio, com um próton e um nêutron no núcleo), gerando uma módica quantidade de energia térmica. Agora, se ele tem menos de 13 massas de Júpiter, nem isso ele consegue. É uma bola morta de gás, que vai se resfriando conforme o calor interno da formação se esvai, ao longo de bilhões de anos. Bem a cara de um planeta gigante gasoso, só que sem uma estrela para chamar de mãe.
Luhman está pintando e bordando em tempos recentes com os dados do satélite Wise. Num estudo recente, ele praticamente descartou a presença de um planeta X nas profundezas do Sistema Solar (para a tristeza dos nibirutas), e noutro ele conseguiu analisar o padrão de nuvens de uma anã marrompertencente a um par binário que ele mesmo descobriu. A descoberta do WISE J085510.83–071442.5 (para os íntimos, WISE 0855–0714) é o terceiro trabalho bombástico em sequência. O astrônomo americano está rapidamente se tornando o rei das anãs marrons. Esse último artigo foi publicado na última segunda-feira no “Astrophysical Journal Letters”.

PLANETAS SOLITÁRIOS (E PRÓXIMOS)
O achado, na prática, demonstra que pelo menos um certo tipo de planeta — gigantes gasosos maiores que Júpiter, mas menores que as anãs marrons — pode se formar sozinho no espaço, pelo mesmo processo que leva ao surgimento de estrelas.
Também é muito interessante observar a proximidade que esse astro recém-descoberto guarda do Sistema Solar. O objeto está a 7,1 anos-luz da Terra, uma distância que faz dele o quarto sistema mais próximo (perdendo apenas do trio em Alfa Centauri, da anã vermelha conhecida como Estrela de Barnard e do par binário de anãs marrons descoberto anteriormente pelo próprio Luhman). Não chega a ser uma distância para encorajar nibirutices, mas me faz pensar em algo que o físico britânico Freeman Dyson disse, ao refletir sobre viagens interestelares.
Costumamos pensar que uma viagem até a estrela mais próxima (Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz) significa que a humanidade terá de atravessar essa imensa distância (cerca de 40 trilhões de quilômetros) numa pernada só. Isso, por sua vez, faz muitos pensarem que voo interestelar é impraticável. Dyson, contudo, destaca que há muita coisa nesse suposto vazio entre uma estrela e outra. Ele sugere que viagens interestelares podem ser feitas mais ou menos do mesmo jeito que os antigos polinésios atravessaram o oceano Pacífico — pulando de ilha em ilha.
Já sabemos que há muitos objetos de porte razoável além de Netuno (planetas anões como Plutão e Éris), que poderiam nos receber e abrigar colônias humanas instaladas em ambientes controlados, a despeito do frio intenso. De lá, podemos saltar para objetos que ora se aproximam daquela região, ora se afastam, como o Quaoar. Numa terceira parada, teríamos os possíveis planetas anões presentes na nuvem de Oort, que se estende até um ano-luz de distância do Sol. De lá, quem disse que não encontraremos planetas órfãos — pequenas ilhas no vazio cósmico — que nos ajudem a atravessar os três anos-luz restantes?
Além de planetas que não conseguiram virar anãs marrons, podemos encontrar astros de todo tipo que nasceram em torno de estrelas, mas depois foram ejetados de seus sistemas planetários de origem e agora seguem órbitas em torno do centro da Via Láctea. Eles são praticamente invisíveis para nós daqui, visto que são pequenos, distantes e gelados, mas talvez possam ser detectados pela humanidade do futuro, que já tiver estabelecido uma estação de pesquisa em Quaoar.
Além de turvar a distinção que fazemos de planetas e estrelas, esses astros órfãos realçam a incrível variedade do cosmos. E nos fazem lembrar que não podemos restringir nossa imaginação aos próximos dez anos, ou mesmo ao próximo século. O Homo sapiens já tem 200 mil anos. Se continuar existindo por outros 200 mil, o que não poderá estar fazendo no longínquo ano de 202.014? Gosto do Dyson sobretudo porque ele não tem medo de pensar grande. Quando você se vê diante do tempo em escala astronômica, nada parece impossível.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Encontramos outra Terra no Universo

Momento histórico: encontramos outra Terra no Universo
POR SALVADOR NOGUEIRA
Portal uol/Folha

Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico “Science”: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida — e vida — em sua superfície.

Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água

O anúncio está sendo feito neste momento numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa (uma reportagem mais completa sobre o achado, produzida por este escriba, estará amanhã nas páginas da Folha). O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.
A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável — região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.
Numa nota pessoal, lembro-me de ter já conversado antes com Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa que é a primeira autora da descoberta. Em 2002, ela produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri — o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol — podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. Imagino a realização pessoal dela de, depois de “conceber” por tantos anos mundos como esse em computador, finalmente poder reportar uma descoberta dessa magnitude. Não de uma simulação, mas da fria realidade da observação!
Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização — a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera.
Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias.

Descoberto o mais antigo ancestral dos animais herbívoros terrestres

Fóssil encontrado nos Estados Unidos permitiu descrição da espécie.
Esqueleto apresentava características ligadas à linhagem de herbívoros.
Da AFP - portal G1
Concepção artística mostra Eocasea, o ancestral mais antigo dos herbívoros (Foto: Danielle Dufault/Divulgação)

Paleontólogos descobriram o mais antigo ancestral dos herbívoros terrestres, com 300 milhões de anos. O espécime ajuda a esclarecer o aparecimento dessa forma de alimentação no mundo animal, determinante para a evolução do ecossistema terrestre atual.
O fóssil parcial deste animal, denominado Eocasea martini, que tinha menos de 20 centímetros de comprimento, representa "o primeiro vínculo entre os carnívoros e os herbívoros", disse à AFP o paleontólogo Robert Reisz, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, principal responsável pela descoberta, divulgada em artigo publicado nesta quarta-feira (16) na revista americana "PLOS ONE".
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O esqueleto do Eocasea, ainda um carnívoro, apresentava certas características estreitamente relacionadas a uma linhagem de herbívoros, acrescentou Reisz, indicando que apenas uma parte do crânio, o essencial da coluna vertebral, a pélvis e uma pata traseira foram recuperados no Kansas.
Este animal, que viveu 80 milhões de anos antes do aparecimento dos dinossauros, fazia parte da classe Synapsida, que inclui os primeiros herbívoros terrestres e os grandes predadores, ancestrais dos mamíferos modernos.
Antes da emergência dos herbívoros, um pouco depois do Eocasea, os animais terrestres, todos carnívoros, alimentavam-se uns dos outros, ou comiam insetos. O aparecimento dos herbívoros "foi uma revolução da vida sobre a Terra, porque significou que os vertebrados puderam ter acesso diretamente a vastos recursos alimentares oferecidos pelos vegetais", destacou o pesquisador.
Os herbívoros, que se multiplicaram e cresceram, por sua vez, viraram uma fonte importante de nutrição para os grandes predadores, completou.
Assim, o Eocasea foi o primeiro animal a ativar um processo que resultou no ecossistema terrestre atual, no qual um grande número de herbívoros assegura o aporte alimentar de um número cada vez menor de grandes predadores, observou o professor Reisz.
Este fenômeno ocorre depois separadamente em outros grupos de animais, em pelo menos cinco ocasiões, afirmou.
"Uma vez que a via para o mundo da alimentação herbívora foi aberta pelo Eocasea (...), vários grupos de animais continuaram evoluindo para desenvolver os mesmos traços", permitindo-lhes digerir a celulose, um glicídio que é a principal fonte de energia fornecida pelas plantas.
"Os primeiros dinossauros eram todos carnívoros antes que um grande número se tornasse herbívoro" no curso da evolução, revelou o cientista. Mas, ele admitiu, "não compreendemos porque essa evolução de carnívoro para herbívoro não aconteceu mais cedo, nem as razões pelas quais ela ocorreu separadamente em várias linhagens animais".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Saturno pode ganhar mais uma lua; planeta já conta com 62

Nova lua pode estar sendo formada em um dos anéis do planeta e já foi chamada de "Peggy" pelos cientistas

Portal Terra

A mancha brilhante na borda inferior do anel é estimado em cerca de 750 km de comprimento e mostra onde Peggy estaria sendo formadaFoto: Nasa / Divulgação

Novas imagens da Nasa sugerem que Saturno pode estar passando por um processo de formação de uma nova lua, que já foi nomeada de “Peggy” pelos cientistas. As informações são do The Independent.
O novo e pequeno satélite não foi visto diretamente, mas, em uma imagem captada pela Nasa, é possível perceber uma protuberância brilhante em um dos seus anéis mais externos, o que sugeriria que há realmente uma nova lua, além das 62 que o planeta já possui.
Imagem de Saturno pela Nasa em 2004Foto: Getty Images

“Não é esperado que Peggy cresça mais e ela pode até estar se despedaçando", disse o astrônomo Carl Murray, principal autor de um estudo que descobriu a nova lua.
Os anéis de Saturno são compostos quase inteiramente de gelo, além de uma pequena quantidade de material rochoso.
Pesquisas mostram que o planeta tinha um sistema de anéis muito mais maciço, sendo capaz de formar satélites maiores. Com isso, "Peggy" provavelmente será pequeno, com cerca de 800 metros de diâmetro, muito menor, por exemplo, se comparada com a maior lua de Saturno, Titan, que tem mais de 5 mil quilômetros de diâmetro.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eclipse 'Lua de sangue"

Veja imagens do eclipse 'Lua de sangue'

Eclipse total põe satélite na sombra da Terra em relação ao Sol.
Fenômeno pouco frequente dá tom avermelhado à Lua.

Do G1, em São Paulo
Lua vermelha vista de Burbank, na Califórnia, EUA (Foto: Kevin Winter/Getty Images/AFP)

O continente americano viu nesta terça-feira (15) um eclipse lunar conhecido como "Lua de sangue", quando o nosso satélite natural fica na sombra da Terra em relação ao Sol e ganha um tom avermelhado.
No Brasil, esse eclipse total pôde ser visto desde as 3h, por cerca de 78 minutos, de diferentes partes do país, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Os eclipses totais da Lua, quando o satélite cruza o cone de sombra da Terra, são pouco frequentes – o último ocorreu no dia 10 de dezembro de 2011. A última vez que aconteceu uma série de quatro eclipses lunares totais foi entre 2003 e 2004, segundo a agência espanhola EFE.
Progressão do eclipse lunar total visto em Miami, nos EUA (Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP)
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Este é primeiro de uma série de quatro eclipses lunares que deve ocorrer, aproximadamente, a cada 6 meses e se repetir apenas sete vezes neste século. O próximo eclipse total está previsto para o dia 8 de outubro.
Ainda este ano, também será possível observar dois eclipses solares – um em abril e outro em outubro.
Eclipse lunar é visto em Brasília, parecendo uma bola de basquete sobre a estátua de JK (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A agência espacial americana (Nasa) explicou que a "Lua de sangue" é quando a região periférica da Lua ingressa no centro da sombra da Terra, que tem a cor âmbar. É durante esse período que o satélite é visto do nosso planeta com uma cor avermelhada, causada pela luz do Sol e matizada por sua passagem pela atmosfera terrestre – algo similar à coloração que a luz solar adquire nos crepúsculos.
Ao longo da história, os eclipses solares e lunares estiveram rodeados de muitas superstições e referências a profecias sobre desastres naturais de grande magnitude.
Veja abaixo os eclipses previstos para 2014:
- 15 de abril: Eclipse total da Lua – visível na parte oeste da África, na parte oeste da Europa, Américas, Austrália e leste da Ásia
- 29 de abril: Eclipse anular do Sol (quando a Lua fica na frente do Sol e se forma um "anel" do Sol em volta da Lua) - visível na Antártica e Austrália
- 8 de outubro: Eclipse total da Lua - visível nas Américas, na Austrália e Ásia
- 23 de outubro: Eclipse parcial do Sol - visível na maior parte da América do Norte, no México e na Rússia
Misael Bandeira, de Candelária (RS), ficou acordado até mais tarde para registar a Lua de Sangue (Foto: Misael Bandeira/VC no G1)
Francisco da Silva, morador de Feira de Santana (BA) registrou pela segunda vez esse tipo de eclipse lunar (Foto: Francisco da Silva/Vc no G1)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma possível lua fora do Sistema Solar

POR SALVADOR NOGUEIRA
Portal Uol 11/04/14

Pela primeira vez, astrônomos afirmam ter encontrado possíveis sinais de uma lua fora do Sistema Solar.

Astrônomos encontram uma lua em torno de um planeta errante. Ou não.

Agora as más notícias. Pode ser simplesmente uma estrela com um planeta, e lua nenhuma. E o pior: nunca saberemos.
O motivo é a técnica envolvida na observação. Ela explora um fenômeno conhecido como “microlente gravitacional”. Isso acontece quando um objeto mais próximo passa à frente de uma estrela mais distante, com relação a nós.
A gravidade do objeto mais próximo curva os raios de luz da estrela distante, como se fosse uma lente. Ao observar os padrões da microlente, os astrônomos tentam adivinhar detalhes do objeto que a produziu — e de possíveis astros muito discretos para serem notados numa observação direta.
No caso em questão, a única coisa que o grupo internacional composto por pesquisadores do Japão, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos conseguiu determinar é que dois objetos diferentes produziram a microlente, e um tem 2.000 vezes mais massa do que o outro.
Conhecendo as possibilidades astrofísicas que isso traz, das duas uma: ou temos um planeta errante (ou seja, que vaga pelo espaço sem girar em torno de uma estrela) um pouco maior do que Júpiter com uma lua menor que a Terra, ou temos uma estrela discreta com um planeta cerca de 18 vezes mais massivo que o nosso.
É basicamente a diferença entre uma coisa nunca antes observada e o mais banal dos achados. E nunca saberemos. “Não teremos a chance de observar a exolua candidata novamente”, afirma David Bennett, da Universidade de Notre Dame, nos EUA, autor principal do trabalho, publicado nas páginas do “Astrophysical Journal”.

A CAÇA ÀS LUAS
Muitos astrônomos estão concentrados na busca de satélites naturais em torno de planetas fora do Sistema Solar. Por quê? Porque eles podem muito bem ser ótimos abrigos para a vida.
Imagine um planeta gigante, como Júpiter, só que localizado a uma distância de sua estrela similar à que a Terra guarda do Sol. Como a bola gasosa que é, ele continuaria tão inabitável como de costume. Mas o que dizer de luas que estejam ao seu redor? Não é difícil imaginar múltiplos satélites naturais capazes de abrigar vida!
Temos um viés natural de procurar os alienígenas em planetas como a Terra, mas talvez as luas sejam as maiorais no que diz respeito ao desenvolvimento de biosferas. Por isso os cientistas estão tão ansiosos em saber o quanto o Sistema Solar é típico ou exótico, em termos de suas luas.
Por ora, contudo, teremos de nos contentar somente com esse quase achado, que não diz quase nada sobre esse assunto…

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Marte Ficará visível hoje a noite


Planeta vermelho aparece ao leste ao anoitecer e cruza o céu perto de estrela brilhante para se pôr no oeste ao nascer do Sol

O Planeta Marte estará muito mais brilhante neste mês de abril e poderá ser visto a olho nu em todo o país na noite desta terça-feira (8). Ele estará em oposição ao Sol, ou seja, cada um estará de um lado diferente da Terra.

Nasa
Planeta Marte será observado a olho nu da terra neste mês

As oposições ocorrem a cada dois anos, aproximadamente, quando Marte fica a uma distância mínima da Terra. O espaço entre os dois planetas na noite de hoje será 93 milhões de quilômetros.
O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, explica que as distâncias variam consideravelmente. “Como comparação, em 2003 houve outra aproximação e os dois planetas ficaram a 56 milhões de quilômetros de distância, por uma questão de conjugação de órbitas”.
O planeta vermelho vai aparecer ao Leste ao anoitecer. Vai cruzar o céu, próximo à Espiga, que é a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se por no Oeste ao nascer do Sol.
Então, esta noite, olhando para cima, Marte será um ponto laranja.

O Cosmos da nova geração

Nova versão da clássica série de Carl Sagan apresenta um espetáculo científico, mas tem a dura missão de ser tão relevante quanto a original para novas gerações de espectadores.
Fonte Uol Ciencias

A nova série ‘Cosmos’ tem como meta atualizar a clássica produção estrelada por Carl Sagan, utilizando a tecnologia para ambientar uma fantástica viagem pelo espaço-tempo. (imagem: divulgação)

Na onda dos remakes na indústria do entretenimento, uma clássica série dos anos 1980 voltou repaginada à programação da TV em 2014. Cosmos, originalmente apresentada pelo astrofísico norte-americano Carl Sagan, no entanto, não é uma produção qualquer: foi um marco na história da divulgação científica mundial.
A nova versão propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo
A nova versão, que propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo – agora guiada pelo também astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, discípulo do próprio Sagan –, precisa lidar com outras questões científicas e contextos socioculturais distintos para responder a uma pergunta ingrata: é possível ser relevante como sua predecessora num mundo globalizado e com uma concorrência muito maior de seriados semelhantes?
A Cosmos original, que estreou na rede norte-americana PBS em 1980, apresentou a toda uma geração, nos resquícios da corrida espacial e da Guerra Fria, temas como a exploração do espaço, a história da Terra, a origem da vida e possibilidade de vida fora de nosso planeta. Vista por centenas de milhões de pessoas, inovou ao apresentar a discussão científica como entretenimento, explorando temas complexos de forma simples. Sucesso de crítica, a produção recebeu três prêmios Emmy e a versão impressa dos roteiros do programa foi elencada em 2012 pela Biblioteca do Congresso norte-americano entre os 88 livros que deram forma aos Estados Unidos.

A série ‘Cosmos’ original foi um importante marco da popularização da ciência, tendo sido assistida por centenas de milhões de telespectadores em todo o mundo. (foto: Wikimedia Commons)

O remake de 2014 estreou no início de março – o terceiro capítulo, de um total de 13, vai ao ar nesta quinta-feira (27/03), às 22h30, no National Geographic Channel – e conta com a participação da viúva e colaboradora de Sagan, Ann Druyan, além da produção executiva de Seth Macfarlane (criador do desenho Uma família da pesada e fã declarado de Sagan). Seu objetivo é o mesmo da série original: levar a ciência a todos os públicos. “Quando Sagan era vivo, não tentávamos pregar para os convertidos. Queríamos evocar nas pessoas, que talvez fossem até hostis à ciência, um senso de deslumbramento”, afirmou Druyan ao Space.com.

Veja toda a reportagem em: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2014/03/o-cosmos-da-nova-geracao

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cientistas descobrem oceano em uma das luas de Saturno

Mar de Enceladus tem 10 km de profundidade sob grossa camada de gelo.
Não foi possível determinar se existe alguma forma de vida.

Da Associated Press - via Portal G1

Ilustração feita pela Nasa mostra simulação do oceano na parte sul de lua de Saturno (Foto: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Cientistas descobriram um vasto oceano sob a superfície gelada de uma das luas de Saturno, a Enceladus. Pesquisadores italianos e norte-americanos fizeram a descoberta usando a sonda Cassini, da Agência Espacial Americana (Nasa). Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (3). Saturno tem mais de 60 luas orbitando ao seu redor.
Este novo oceano está centrado no polo sul de Enceladus e pode abranger boa parte da lua, que tem 310 milhas de diâmetro. Os dados obtidos não mostram se o oceano se estende até o polo norte da lua de Saturno. Nuvens de vapor de água e gelo foram detectadas pela primeira vez em 2005 na região polar sul.
Segundo Luciano Iess, da Universidade de Ciências de Roma, o mar tem 10 km de profundidade sob grossa espessura de 30 a 40 km de gelo.

Os pesquisadores não conseguiram determinar se o mar abriga alguma forma de vida. Para isso são necessários instrumentos de busca mais sofisticados.
Nuvens de vapor de água foram detectadas na região polar sul (Foto: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Observatório no Chile mostra galáxia 'devoradora'

Sinais em imagens sugerem que galáxia pode ter engolido outras durante sua história.

BBC Via portal G1
As duas galáxias, NGC 1317 (menor) e a NGC 1316; sinais mostram passado turbulento de galáxia maior (Foto: ESO/Divulgação/BBC)

Uma nova imagem obtida pelo telescópio MPG/ESO, do Observatório Europeu do Sul, mostra uma galáxia que teria devorado várias outras ao longo de sua história.
A imagem capturou duas galáxias contrastantes: a NGC 1316 e uma menor, a NGC 1317 (à direita, na foto).
Segundo os pesquisadores, a pequena galáxia NGC 1317, em formato espiral, teve uma vida mais calma. Mas a maior, a NGC 1316, engoliu várias outras galáxias.
E, devido à proximidade, a pequena NGC 1317 poderá se transformar na próxima 'vítima' da galáxia 'assassina'.

Cicatrizes de guerra
Segundo os cientistas, vários indícios na estrutura da NGC1316 mostram que a galáxia teve um passado atribulado.
Os astrônomos afirmam que as longas faixas de poeira cósmica próximas a seu centro e uma população de pequenos aglomerados estelares são sinais de que a NGC 1316 já havia engolido outras galáxias, entre elas uma outra galáxia em espiral, há cerca de 3 bilhões de anos.
Também podem ser vistas longas e tênues 'caudas' partindo da NGC 1316, chamadas pelos pesquisadores de 'caudas de maré', formadas por estrelas arrancadas de suas posições originais e lançadas no espaço intergaláctico.
Estas 'caudas' são resultado de efeitos gravitacionais nas órbitas das estrelas quando uma outra galáxia se aproxima demais.
Todos estes sinais apontam para o passado 'violento' da NGC 1316, durante o qual ela anexou outras galáxias. Os sinais também sugerem que a NGC 1316 continua seguindo esse padrão.

Observatório chileno
A NGC 1316 está a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Fornax (Fornalha).
A imagem detalhada da NGC 1316 e da NGC 1317 foi capturada pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), em La Silla, no Chile.
A foto foi criada a partir da combinação de muitas imagens individuais nos arquivos do ESO - e abre uma janela para uma parte longínqua do Universo.
Os pontos mais tênues e difusos que aparecem na foto divulgada pelo ESO são galáxias ainda mais distantes do que a NGC 1316 e a NGC 1317.
Uma concentração destes pontos, particularmente densa, pode ser vista à esquerda da NGC 1316.

Nasa capta poderosa erupção no Sol

Radiação emitida por evento deve chegar à Terra nesta semana, mas não oferece riscos aos humanos.

Da BBC
Via Portal G1
Imagem da erupção divulgada pela Nasa (Foto: Nasa/BBC)

Uma poderosa erupção no Sol foi registrada no sábado e gerou uma série de ondas de radiação e vento solar que provavelmente chegarão à Terra, de acordo com o Observatório de Dinâmica Solar da Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.
Estas ondas são chamadas de ejeções de massa coronal (CME, na sigla em Inglês), que ocorrem na camada externa da estrela.
Esta erupção, disse a Nasa, foi classificada como do tipo X1, o que significa que ela está entre as maiores e mais poderosas.
saiba mais
De acordo com o site especializado spaceweather.com, a erupção, um flash de radiação ultravioleta, causou uma perturbação relativamente menor do campo magnético do planeta, conhecida como efeito de 'crochê magnético', que resultou em uma breve interferência nas transmissões de rádio terrestres.
No entanto, a Nasa disse que as erupções solares não podem passar através da atmosfera e afetar fisicamente os seres humanos. As ejeções CME possivelmente chegarão à Terra nesta quarta-feira, mas não terão qualquer impacto sobre o planeta, disseram fontes da Nasa.
De acordo com especialistas, há chances de que mais erupções ocorram nos próximos dias. Há vários tipos de erupções solares, mas as classes M e X são mais notórias porque podem causar tempestades geomagnéticas na Terra.
Os números que são adicionados às letras indicam a força do evento. Para se ter uma idéia, um das erupções mais poderosas do atual ciclo solar de 11 anos ocorreu em 25 de fevereiro e foi uma X4, de acordo com a Nasa.

Avião atingido por Raio


Imagem mostra avião no momento em que é atingido por raio

Aeronave da KLM se aproximava de Birmingham, no Reino Unido.
'Houve um grande estrondo', contou passageiro; ninguém se feriu.

Do Portal G1, em São Paulo

Tracey Meakin White, moradora da cidade de Kingstanding, no Reino Unido, fotografou o momento em que um avião da empresa KLM foi atingido por um raio quando chegava a Birmingham, oriundo de Amsterdã, na sexta-feira (28). Ninguém se feriu.

Tony Everitt, um dos passageiros a bordo, relatou o que sentiu ao jornal “Brimingham Mail”: “Foi incrível, houve um grande estrondo. Apenas momentos antes eu notei o céu escuro e disse a um passageiro perto de mim que estava surpreso de não haver raios e trovões. Após o estrondo, meu pensamento inicial foi que o motor tinha explodido. Surpreendentemente, não foi assustador, foi excitante. Você está esperando algo mais acontecer, então percebe que nada deu errado”.

Segundo Everitt, o capitão da aeronave só contou o que aconteceu depois que já estavam em solo. “Sei que eles [os pilotos] passam um monte de tempo no ar, mas estou surpreso como ele estava calmo. O piloto apenas disse 'senhoras e senhores, vocês devem ter notado que fomos atingidos por um raio", relatou.
Momento em que raio atinge avião da KLM no reino Unido (Foto: TRACEY WHITE/ CATERS NEWS)

Detalhe da imagem com contraste aumentado mostra o avião atingido por um raio (Foto: TRACEY WHITE/ CATERS NEWS)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

No tempo da Terra púrpura

Portal UOL
POR SALVADOR NOGUEIRA 02/04/14

Inspirado por uma fotografia tirada dos confins do Sistema Solar pela sonda Voyager-1, o saudoso astrônomo Carl Sagan apelidou nosso pequeno cantinho do Universo de “pálido ponto azul”. Mas se a foto tivesse sido tirada 3 bilhões de anos antes, provavelmente seria o “pálido ponto púrpura”. Ao menos segundo um grupo espanhol de cientistas.


Em seus primórdios, a Terra já teve muito mais área coberta por oceanos. E era púrpura!

Enric Pallé e seus colegas do Instituto de Astrofísica das Canárias apontam que, hoje, a maioria das bactérias e plantas que fazem fotossíntese usam a clorofila para realizar a façanha, e por isso são verdes, mas, no passado, a forma de vida predominante era a das bactérias púrpuras.

“Elas são microrganismos fotossintetizantes e podem habitar tanto ambientes aquáticos como terrestres”, destacam Pallé e seus colegas, em artigo aceito para publicação no “Astrophysical Journal”. Em vez de clorofila, elas usam uma substância chamada retinal para transformar luz em energia para seu metabolismo. Água também não faz parte do menu. Em vez disso, o processo exige ácido sulfídrico (H2S) e gera enxofre, em vez de oxigênio.

Com essa química diferentona, elas perdem o verde característico das plantinhas e ganham uma cor roxeada. Agora imagine essas bactérias disseminadas por todo o globo terrestre, inclusive os oceanos. O planeta inteiro deve ter ganho aí uns 50 tons de púrpura.

PASSADO E PRESENTE

Quanto disso seria perceptível numa análise da assinatura de luz proveniente do nosso planeta, coletada do espaço? Essa é a pergunta crucial do novo trabalho da equipe espanhola, que Pallé apresentou durante a conferência de astrobiologia promovida pelo Vaticano, em março. Os pesquisadores fizeram diversas simulações da ocupação das bactérias púrpuras no que seria uma versão da Terra durante o éon Arqueano, entre 3,85 bilhões e 2,5 bilhões de anos atrás.

Nessa época a vida dava seus primeiros passos em nosso planeta. Há 3 bilhões de anos, o Sol brilhava com 80% da intensidade atual, e a Terra tinha mais oceano e menos continente do que hoje. A fotossíntese por clorofila ainda não era uma coisa popular, praticamente não havia oxigênio na atmosfera, e o nosso mundo só abrigava criaturas unicelulares. Era então uma biosfera muito menos vibrante do que a de nossos tempos.

Ainda assim, nosso mundo já estava claramente “vivo”. Ele já era exatamente o tipo de coisa que agora estamos querendo encontrar ao redor de outras estrelas. Daí a preocupação de Pallé e cia. Será que poderíamos identificar um planeta similar à “Terra Púrpura” de 3 bilhões de anos atrás analisando a luz de astros que estão a vários anos-luz de distância?

A pesquisa espanhola indica que sim. Mesmo que o mundo a ser pesquisado não esteja completamente coberto por bactérias púrpuras, sinais de sua existência seriam captados em meio à luz sutil emanada de lá.

Claro, ainda não temos tecnologia para observar diretamente — e em detalhes — o espectro luminoso de planetas distantes similares ao nosso. Esse é um trabalho que será desenvolvido agressivamente nas próximas décadas, conforme passamos da fase da descoberta de planetas habitáveis para a de sua caracterização. Contudo, estudos como o de Pallé nos lembram que já temos diversas biosferas “alienígenas” para estudar — agora mesmo. Onde estão elas? Basta olhar para o passado da Terra.