sexta-feira, 28 de março de 2014

Após dois dias em órbita, Soyuz se acopla à ISS com 3 tripulantes

Nave demorou mais do que o previsto por falha técnica, mas sem risco.
Durante espera, ela deu 34 voltas na Terra; conexão ocorreu sobre o Brasil.

Do G1, em São Paulo

Soyuz a poucos metros da ISS, nesta quinta-feira (Foto: Nasa)
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A nave Soyuz chegou na noite desta quinta-feira (27) à Estação Espacial Internacional (ISS). O foguete havia decolado nesta terça (25) do Cosmódro de Baikonur, no Cazaquistão, com três tripulantes a bordo.

O acoplamento com a ISS aconteceu às 20h53 (horário de Brasília) desta quinta, quando o conjunto estava a 405 km acima do norte do Brasil, segundo informa a Nasa.

A Soyuz permaneceu em órbita por dois dias por causa de uma falha técnica, e deu 34 voltas na Terra durante esse período. O plano inicial era que ela chegasse à ISS seis horas após o lançamento.

O problema técnico que impediu a nave de chegar à ISS seis horas não colocou a tripulação em risco, segundo a Nasa. O que ocorreu foi que, algumas horas após o lançamento, a Soyuz não conseguiu fazer a propulsão necessária para corrigir sua órbita e chegar à ISS no tempo inicialmente previsto, que seria suficiente para fazer quatro órbitas. Com isso, os técnicos responsáveis pela viagem decidiram então fazer a aproximação em 34 órbitas, procedimento que já foi o padrão anteriormente.

A tripulação inclui dois cosmonautas russos - os engenheiros de voo Alexander Skvortsov e Oleg Artemyev - e um astronauta americano - Steve Swansone. Após passarem por todos os procedimentos de abertura da da Soyuz, eles serão recebidos pelos três astronautas que já estavam na ISS, e se familiarizarão com o ambiente da estação. Depois, nesta sexta feira, todos os seis tripulantes terão um dia livre para descansar.

No domingo, partirá do Cabo Canaveral, na Flórida, o foguete SpaceX Falcon levando a cápsula de carga Dragon.
Foto de longa exposição mostra nave Soyuz decolando no Cazaquistão (Foto: AP Photo/Dmitry Lovetsky)

A Soyuz levanta voo de Baikonur (Foto: Reprodução/Nasa)
Astronauta americano dentro da Soyuz instantes antes do lançamento (Foto: Reprodução/Nasa)
O engenheiro de voo Steve Swanson, da Nasa (esquerda), o comandante da Soyuz Alexander Skvortsov, da agência federal espacial russa (Roscosmos), e o engenheiro de voo Oleg Artemyev, também da Roscosmos, são fotografados nesta terça-feira (25) em Baikonur (Foto: NASA/Joel Kowsky)
Um padre ortodoxo faz uma bênção na plataforma de lançamento da nave Soyuz, no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão (Foto: NASA/Joel Kowsky)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Astrônomos brasileiros descobrem sistema de anéis em torno de asteroide

Do UOL, em São Paulo 26/03/2014

ESO/L. Calçada/M. Kornmesser/Nick Risinger (skysurvey.org)


Astrônomos brasileiros lideraram observações em todo o mundo que descobriram que o asteroide distante Chariklo está rodeado por dois anéis densos e estreitos. Este é o menor objeto já descoberto com anéis e o quinto astro no Sistema Solar - além dos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno - com esta caraterística.
A equipe descobriu que o sistema de anéis é composto por dois anéis bastante confinados, com apenas sete e três quilômetros de largura, respectivamente, separados entre si por um espaço vazio de nove quilômetros - e tudo isto em torno de um pequeno objeto com 250 quilômetros de diâmetro que orbita além da órbita de Saturno.
Uma colisão teria criado um disco de detritos que foram atraídos pelo corpo. Os resultados estão na revista Nature desta quarta-feira (26).
Além dos anéis de Saturno, que são um dos mais bonitos espetáculos no céu, outros anéis, menos proeminentes, também foram encontrados em torno dos outros planetas gigantes. Apesar de buscas cuidadosas, nunca se encontraram anéis em volta de outros objetos menores do Sistema Solar. Agora, observações do longínquo asteroide Chariklo, feitas quando este passava em frente a uma estrela, mostraram que ele também se encontra rodeado por dois anéis estreitos.
"Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhes que obtivemos do sistema - foi para nós uma grande surpresa", diz Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, que é o autor principal do artigo científico.
Chariklo é o maior membro de uma classe de objetos conhecidos por Centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Urano, no Sistema Solar externo. Previsões da sua órbita mostraram que passaria em frente da estrela UCAC4 248-108672 no dia 3 de junho de 2013, quando observado a partir da América do Sul.
Assim, com o auxílio de telescópios em sete lugares diferentes, incluindo o telescópio dinamarquês de 1,54 metros e o telescópio TRAPPIST, ambos situados no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, os astrônomos puderam observar a estrela desaparecer durante alguns segundos, momento em que a sua luz foi bloqueada pelo Chariklo - num fenômeno conhecido por ocultação.
Alguns segundos antes, e também alguns segundos depois, da ocultação principal ainda houveram duas quedas de luz, ligeiras e muito curtas, no brilho aparente da estrela. Algo em torno de Chariklo estava bloqueando a luz, foi a conclusão dos pesquisadores.
Ao comparar as observações feitas nos diversos locais, a equipe pôde reconstruir não apenas a forma e o tamanho do objeto propriamente dito, mas também a espessura, orientação, forma e outras propriedades dos anéis recém descobertos.
"Acho extraordinário pensar que fomos capazes de detectar, não apenas o sistema de anéis, mas também precisar que este sistema é constituído por dois anéis claramente distintos", acrescenta Uffe Gråe Jørgensen (Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga, Dinamarca), integrante da equipe.
"Tento imaginar como será estar sobre a superfície deste corpo gelado - tão pequeno que um carro esportivo veloz poderia atingir a velocidade de escape e lançar-se no espaço - e olhar para cima para um sistema de anéis com 20 quilômetros de largura e situado 1000 vezes mais próximo do que a Lua está da Terra".
Embora muitas questões permaneçam ainda sem resposta, os astrônomos pensam que este tipo de anel deve ter se formado a partir dos restos deixados depois de uma colisão. Os restos teriam ficado confinados como dois estreitos anéis devido à presença de pequenos satélites, que supostamente existirão.
"Por isso, além dos anéis, é provável que Chariklo tenha também, pelo menos, um pequeno satélite à espera de ser descoberto", acrescenta Felipe Braga Ribas.
Os anéis poderão mais tarde dar origem à formação de um pequeno satélite. Tal sequência de eventos, a uma escala muito maior, pode explicar a formação da nossa própria Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteroides.

Sonda Encontra água em Marte


Na 1ª amostra recolhida, sonda Curiosity acha água em Marte

Fonte: Portal Terra

Curiosity recolheu amostras do solo de Marte
Foto: Nasa / Divulgação

A primeira amostra de solo analisada pela sonda Curiosity em Marte encontrou uma quantidade significativa de água, anunciou nesta quinta-feira a Nasa - a agência espacial americana - em artigo na revista Science.

"Um dos mais emocionantes resultados da primeira amostra ingerida pela Curiosity é a alta porcentagem de água no solo", diz Laurie Leshin, do Instituto Rensselaer (EUA) e líder do estudo apresentado hoje. "Cerca de 2% do solo na superfície de Marte é feito de água, o que é um grande recurso, e cientificamente interessante", diz a cientista. A análise do laboratório ambulante identificou ainda dióxido de carbono, oxigênio e compostos sulfúricos, entre outros, quando aqueceu a terra coletada.

Um dos instrumentos do robô, chamado de SAM (sigla em inglês para "análise de amostra de Marte") inclui um cromatógrafo, um espectrômetro de massa e um espectrômetro a laser. Esses palavrões significam que a sonda tem a capacidade, ao contrário de suas antecessoras, de identificar diversos compostos químicos e determinar a proporção de isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem na quantidade de nêutrons) de elementos-chave nas amostras que recolhe.

"Esta é a primeira amostra que analisamos com os instrumentos da Curiosity. É a primeiríssima pá de algo que alimentou o equipamento analítico. Apesar de ser apenas o início da história, nós aprendemos algo substancial", diz Laurie.

A Curiosity usou sua pequena pá para recolher uma amostra de solo de uma região apelidada de "Rocknest" pelos cientistas. Os pesquisadores inseriram porções da amostra no instrumento SAM, que aqueceu a terra a 835°C. O equipamento reconheceu a presença de diversos componentes, inclusive compostos contendo cloro e oxigênio, como clorato ou perclorato, que já eram conhecidos em Marte - mas apenas em regiões mais próximas ao polo, e não na zona equatorial do planeta vermelho, onde está a sonda. A análise indica ainda a presença de carbonatos, que se formam na presença de água
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Foto: Reuters

"Marte tem um tipo de camada global, uma camada de solo da superfície que tem sido misturada e distribuída por frequentes tempestades de areia. Então, uma pá desse material é basicamente uma coleção microscópica de rochas marcianas", diz Laurie. "Se você misturar muitos grãos dele juntos, você provavelmente terá uma imagem precisa da crosta típica marciana. Ao aprender sobre isso em um lugar, você estará entendendo sobre o planeta inteiro."

Segundo o cientista, os resultados implicarão em futuras missões ao planeta vermelho - inclusive tripuladas. "Nós agora sabemos que deve haver água abundante e de fácil acesso em Marte", diz Laurie. "Quando mandarmos gente, eles podem retirar um pouco do solo em qualquer lugar da superfície, aquecê-lo um pouco e obter água."

terça-feira, 25 de março de 2014

Nasa revela imagem de raio a partir do espaço


A imagem mostra uma área coberta de nuvens densas, onde se situa a Península Arábica 
Foto: NASA

A Nasa divulgou nesta terça-feira a imagem de um raio visto do espaço. A foto foi tirada em dezembro de 2013 por um astronauta que estava a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), como parte do lançamento da Firestation, um novo instrumento na estação dedicado ao rastreamento de raios.

A imagem mostra uma área coberta de nuvens densas, onde se situa a Península Arábica com uma luz roxa indicando onde o raio caiu abaixo das nuvens. A massa alaranjada fica próxima à cidade de Kuwait, enquanto o menor conjunto de luzes estaria acima da cidade de Al Batin Hafar, na Arábia Saudita.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Terra foi atingida por impacto duplo de asteroides

Terra foi atingida por impacto duplo de asteroides, diz pesquisa

Uol Ciências 19/03/2014
ESO via BBC

Cerca de 15% dos asteroides próximos a Terra são binários
Nós todos já vimos filmes em que asteróides se movem rapidamente em direção à Terra, ameaçando sua civilização.
Mas o que é menos conhecido é que às vezes essas rochas espaciais ameaçadoras se movimentam em pares.
Pesquisadores delinearam algumas das melhores evidências até hoje de um impacto duplo, em que um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um atrás do outro.
Usando minúsculos fósseis de plâncton, eles estabeleceram que crateras vizinhas na Suécia são da mesma idade - 458 milhões de anos de idade.
No entanto, outros cientistas alertaram que crateras aparentemente contemporâneas poderiam ter sido formada com semanas, meses ou mesmo anos de intervalo.
Detalhes do trabalho foram apresentados na 45ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Woodlands, no Texas, e os resultados devem ser divulgados na publicação científica Meteoritics and Planetary Science Journal.
Lockne e Malingen
Segundo Jens Ormo, pesquisador do Centro de Astrobiologia de Madri, na Espanha, um punhado de possíveis impactos duplos na Terra já são conhecidos, mas há divergências sobre a precisão das datas atribuídas a estas crateras.
"Crateras de impacto duplo devem ser da mesma idade, caso contrário, poderiam ser apenas duas crateras localizadas uma ao lado da outra",
Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que se encontram cerca de 16 quilômetros de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de largura, Lockne é a maior das duas estruturas. Malingen, localizada mais ao sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.
Acredita-se que os asteroides binários são formados quando um asteroide formado por um grande grupo de rochas começa a girar tão rápido sob a influência da luz solar que uma pedra solta é jogada para fora do seu eixo e forma uma pequena lua.
Observações feitas com telescópio sugerem que cerca de 15% dos asteroides próximos da Terra são binários, mas é provável que a porcentagem de crateras formadas por impacto na Terra seja menor.
Apenas uma fração dos binários que atingem a Terra terá a separação necessária entre o asteroide e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos a suas luas formarão estruturas sobrepostas).
Os cálculos sugerem que cerca de 3% de crateras formadas por impacto na Terra devem ser duplas - um número que está de acordo com o número já identificado pelos pesquisadores.
As características geológicas pouco comuns tanto de Lockne como de Malingen são conhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas foi apenas nos anos 1990 que Lockne foi reconhecida como uma cratera formada por um impacto.
Nos últimos anos, Ormo perfurou cerca de 145 metros na cratera Malingen, passando pelo sedimento que a preenche, por pedra britada, conhecida como brechas, e atingindo a pedra intacta no fundo.
Análises das brechas revelaram a presença de uma forma do mineral quartzo, que é criado sob pressões intensas e está associado com o impacto de asteróides.
Esta área era coberta por um mar raso no momento do impacto que formou Lockne, então sedimentos marinhos teriam preenchido imediatamente qualquer cratera formada por impacto no local.
A equipe de Ormo estabelecida para datar a estrutura Malingen usou minúsculos animais marinhos fossilizados chamados chitinozoas, que são encontrados em rochas sedimentares no local.
Eles usaram um método conhecido como biostratigrafia, que permite que geólogos atribuam idades relativas a rochas com base nos tipos de criaturas fósseis encontradas dentro delas.
Os resultados revelaram que a estrutura Malingen era da mesma idade que Lockne - cerca de 458 milhões anos de idade. Isto parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o período Ordoviciano, da era Paleozoica.

Nasa
As crateras Clearwater no Canadá também devem ter sido formadas por um impacto duplo

Evidências convincentes
Gareth Collins, que estuda crateras formadas por impacto no Imperial College de Londres, e não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC: "Com falta de testemunha dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente."
"Mas a evidência neste caso é muito convincente. Sua proximidade no espaço e estimativas consistentes de idade tornam bastante provável um impacto binário."
As simulações sugerem que o asteróide que criou a cratera de Lockne tinha cerca de 600 m de diâmetro, enquanto o que esculpiu Malingen tinha cerca de 250m. Estas medições são um pouco maiores do que pode ser sugerido pelas suas crateras por causa dos mecanismos de impactos em ambientes marinhos.
Ormo acrescentou que a distância entre Malingen e Lockne está de acordo com a teoria de que elas teriam sido criadas por um binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, suas crateras se sobrepõem. Mas para se qualificar como uma dupla, as crateras não podem estar muito longe, porque elas vão exceder a distância máxima em que um asteróide e sua lua podem ficar vinculados por forças gravitacionais.
"O asteroide formador de Lockne era grande o suficiente para gerar uma abertura na atmosfera acima do local de impacto", disse Ormo.
Isso pode fazer com que o material do asteroide se espalhe ao redor do globo, como aconteceu durante o enorme impacto que formou a cratera de Chicxulub, que muitos acreditam ter matado os dinossauros, há 66 milhões de anos.
O evento ordoviciano não foi potente o suficiente para que o material fosse espalhado, já que teria sido muito diluído na atmosfera. Mas o impacto pode ter tido efeitos locais, como por exemplo, ter vaporizado instantaneamente qualquer criatura do mar que estivesse nadando nas proximidades.
Outros crateras que podem ter sido formadas por um impacto duplo incluem Clearwater Ocidental e Oriental em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev no sul da Rússia, e Ries e Stenheim no sul da Alemanha.

terça-feira, 18 de março de 2014

Os Sons Do Big Bang


Cientistas detectam pela primeira vez ecos diretos do Big Bang
Importante descoberta ajuda a esclarecer origem do universo.

É a 1ª evidência de 'inflação cósmica' (expansão rápida do universo).

Do G1, em São Paulo

O telescópio BICEP2, que fez descoberta (Foto: Steffen Richter/AP)
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Cientistas americanos revelaram nesta segunda-feira (17) a detecção inédita de ecos do Big Bang, explosão ocorrida há cerca de 14 bilhões de anos que deu origem à expansão do cosmo. Trata-se de uma importante descoberta para entender as origens do universo.

A "primeira evidência direta da inflação cósmica" foi observada com um telescópio no Polo Sul e foi anunciada por especialistas do Centro de Astrofísica (CfA) de Harvard-Smithsonian.

A existência destas ondulações de espaço-tempo, primeiro eco do Big Bang, demonstra a expansão extremamente rápida do universo na primeira fração de segundo de sua existência, uma fase conhecida como inflação cósmica.

"A detecção destas ondulações é um dos objetivos mais importantes da cosmologia na atualidade e resultado de um enorme trabalho realizado por uma grande quantidade de cientistas", destacou John Kovac, professor de astronomia e de física no CfA e chefe da equipe de investigação BICEP2, que fez a descoberta.

Detecção de ondas
As ondas gravitacionais são ondulações minúsculas e primordiais que se propagam pelo cosmo. Os astrônomos as buscam há décadas, porque são a prova que falta para duas teorias, uma das quais inaugurou a era atual de pesquisa sobre as origens e a evolução do cosmo - a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, publicada em 1916 - e outra que deu os retoques finais nela, a teoria da inflação cósmica, desenvolvida nos anos 1980.
Um conjunto especializado de detectores
supercondutores é usado pelo telescópio BICEP2, no
Polo Sul, para capturar luz de bilhões de anos atrás
(Foto: Reuters/Nasa/JPL-Caltech)

Uma fração de segundo após o Big Bang, a explosão do espaço-tempo que iniciou o universo 13,8 bilhões de anos atrás, o cosmo recém-nascido inflou muitas vezes seu tamanho inicial em menos de um quadrilionésimo de segundo (número representado por um zero seguido de uma vírgula seguida de 33 zeros e um 1).

As ondas gravitacionais foram detectadas pelo telescópio BICEP2 (Imagem de Fundo de Polarização Cósmica Extragalática, na sigla em inglês), que fica no Polo Sul. O instrumento, que escaneia o céu a partir dessa região, examina o que os cientistas chamam de micro-onda cósmica de fundo, uma radiação extremamente fraca presente em todo o universo. Sua descoberta em 1964 pelos astrônomos dos laboratórios Bell, em Nova Jersey, foi saudada como a melhor prova até hoje de que o universo começou em uma explosão imensamente quente.

Diferença de temperatura
A micro-onda cósmica de fundo, que passou a banhar o universo 380 mil anos após o Big Bang, está meros três graus acima do zero absoluto, tendo esfriado até a quase não existência desde o plasma imensuravelmente quente que era o universo nas primeira frações de segundo de sua existência.

A radiação de fundo não é exatamente uniforme. Como a luz, essa relíquia é polarizada, como resultado da interação com elétrons e átomos no espaço.

Modelos de computador previram um padrão espiral particular na radiação de fundo que combinaria com o que seria esperado com a inflação do universo após o Big Bang.

A equipe não só encontrou o padrão, mas descobriu ser consideravelmente mais forte do que o esperado. "Foi como procurar uma agulha no palheiro, e ao invés disso achar um pé de cabra", disse o co-líder do estudo Clem Pryke, da Universidade de Minnesota, em um comunicado.

Para o físico teórico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, o avanço "representa um novo esclarecimento sobre algumas das questões mais fundamentais para saber por quê existimos e como o universo começou".

Planeta Mercúrio Encolheu

Pesquisa identifica sinais de encolhimento de Mercúrio
O planeta mais próximo ao Sol está cerca de 7 km menor do que quando sua crosta se solidificou há mais de 4 bilhões de anos.

Portal G1/ BBC
O esfriamento da porção mais interna de Mercúrio teria resultado em um encolhimento de 7km (Foto: NASA/JHU-APL/CARNEGIE)

O planeta Mercúrio está hoje cerca de 7 km menor do que quando sua crosta se solidificou há mais de 4 bilhões de anos, segundo uma pesquisa feita pela agência espacial americana, a Nasa. O menor planeta do Sistema Solar - e o mais próximo ao Sol - se esfriou ao longo do tempo provocando um enrugamento da superfície.

Cientistas perceberam pela primeira vez o fenômeno quando a sonda Mariner 10 passou próximo ao planeta nos anos 1970. No entanto, imagens recentes do satélite da Nasa Messenger permitiram que os pesquisadores aperfeiçoassem suas estimativas a respeito do tamanho da retração do planeta.

E, conforme artigo divulgado na publicação científica "Nature Geoscience", o encolhimento é significativamente maior do que se pensava anteriormente.
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Resultados diferentes
O Mariner fez duas passagens por Mercúrio, em 1974 e 1975, e fotografou cerca de 45% da superfície do planeta. Nessas imagens foram evidenciadas longas marcas que demonstravam que rochas haviam sido deslocadas para cima, enquanto o planeta encolhia.

A partir dessas evidências, pesquisadores calcularam que Mercúrio deve ter diminuído o seu raio por cerca de 1 a 3 km ao longo de sua história. Mas esse resultado entrava em conflito com estudos de modelagem do planeta realizados na época que sugeriam uma contração muito maior, ocorrida nos 4 bilhões de anos.

O satélite Messenger ajudou a resolver essa inconsistência. Desde que ele entrou na órbita de Mercúrio, em 2011, já fotografou 100% do planeta. Isso permitiu um estudo mais amplo das características de Mercúrio. A nova avaliação calculou que a retração chega a 7 km do raio do planeta - estimativa mais próxima dos estudos de modelagem.

Paul Byrne, principal autor do estudo e cientista do Carnegie Institution for Science, em Washington, também ficou maravilhado com as características da superfície do planeta apontadas no monitoramento.

"Algumas dessas crateras são enormes", ele disse à BBC. "Há uma estrutura geográfica chamada Enterprise Rupes, localizada no hemisfério sul, que tem 1 mil km de comprimento e 3 km de relevo. É uma versão de cadeias montanhosas em Mercúrio. Trata-se de algo surpreendente, dado o reduzido tamanho do planeta. Imagina ficar diante delas?".

Relevância
O interior de Mercúrio é bem diferente do da Terra, que tem uma extensa crosta e um manto envolvendo seu núcleo de metal. Com mais de 4.000 km de diâmetro, o núcleo de metal do planeta é bem mais dominante. Ele é coberto apenas por um verniz rochoso fino com pouco mais que 400 km de espessura.

Embora parte do núcleo ainda esteja em forma líquida, uma parte terá esfriado e solidificado, resultando na perda de volume. A Europa e o Japão planejam lançar uma missão conjunta à Mercúrio para acompanhar as observações feitas pelo Messenger.

A sonda Bepi Colombo deve ser lançada em 2016. Um de seus principais pesquisadores será Dave Rothery da Open University na Grã-Bretanha. "As pessoas costumavam pensar que a Terra estava encolhendo - que de fato está um pouco, mas não podemos ver por causa da maneira como as placas tectônicas são criadas e destruídas na Terra", explicou.

"Antes de entendermos as placas tectônicas, as pessoas pensavam que as cadeias de montanhas da Terra eram formadas porque o planeta estava encolhendo e forçando o material para cima, e as áreas de acumulação de sedimentos aconteciam onde a crosta era forçada para baixo pela contração. Sabemos agora que, de modo geral, essa ideia é errada, mas este é o processo em Mercúrio, porque é um planeta com uma única placa."

O estudo é relevante para cientistas que tentam entender planetas fora do nosso Sistema Solar. Muitos deles podem também ter apenas uma única placa e apresentar características na superfície muito semelhantes às observadas em Mercúrio.

segunda-feira, 17 de março de 2014

'Arco-íris' em Vênus


'Arco-íris' em Vênus é fotografado pela primeira vez
UOL Ciência
ESA/MPS/DLR/IDA

Fenômeno semelhante a um arco-íris - e conhecido como "glória" - foi fotografado pela primeira vez em outro planeta
Fenômeno semelhante a um arco-íris - e conhecido como "glória" - foi pela primeira vez fotografado em outro planeta.
A espaçonave Venus Express, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que decolou em 2005 com a missão de estudar o planeta vizinho, fotografou as nuvens venusianas em posição adequada para registrar a glória, e conseguiu.
Arco-íris e glórias ocorrem quando a luz do Sol brilha sobre as gotas de uma nuvem - que, no caso da Terra, são de água.
Enquanto um arco-íris tem a forma de um arco no céu, as glórias são menores. São uma série de anéis concêntricos de cores com um núcleo brilhante.
Só são vistas quando o observador estiver localizado entre o Sol e as partículas que refletem a luz.
Na Terra, glórias costumam ser vistas por passageiros de aviões em voo, rodeando a sombra das aeronaves nas nuvens, ou por montanhistas no topo de morros cobertos de névoa, explica a ESA em seu comunicado.
A glória venusiana - retratada na primeira imagem completa de um fenômeno como este a ser registrado em outro planeta - foi vista nas nuvens de Vênus, a 70 km da superfície do planeta, em 24 de julho de 2011. As fotos foram divulgadas nesta semana.
Química misteriosa
Mas a ocorrência de uma glória depende que as partículas das nuvens sejam esféricas - ou seja, provavelmente gotas de líquido - e de tamanho similar. Acredita-se que as gotas da atmosfera de Vênus contenham ácido sulfúrico.
Ao capturar imagens das nuvens com o Sol diretamente atrás da Venus Express, os cientistas da ESA explicam que esperavam detectar um fenômeno como este, com o objetivo de analisar as gotas da atmosfera do planeta mais próximo a nós.
A partir das observações feitas a partir da glória, os cientistas estimam que as partículas da nuvem sejam de 1,2 micrômetros, o equivalente a um quinto da largura de um fio de cabelo humano.
Além disso, após analisar as variações de brilho dos anéis do fenômeno, os cientistas creem que uma química incomum talvez esteja em ação em Vênus, produzindo um resultado diferente do esperado de nuvens de ácido sulfúrico misturado com água.
Serão necessárias mais pesquisas para descobrir que outro componente químico pode estar em ação.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Cientistas identificam nova ameaça 'misteriosa' à camada de ozônio

Quatro novos gases produzidos pelo homem estariam por trás de destruição de 'escudo natural' contra raios UV.

Do Portal G1 / BBC

Camada de ozônio (Foto: AP)

Cientistas identificaram quatro novos gases de efeito estufa produzidos pelo homem que estão contribuindo para a destruição da camada de ozônio.

Embora as concentrações atuais desses gases ainda sejam pequenas, dois deles estão se acumulando na atmosfera a uma taxa significativa.

Desde meados dos anos 80, preocupações sobre o crescente buraco na camada de ozônio vêm restringindo a produção de gases clorofluorcarbonetos (CFC).

Mas a origem dos novos gases ainda permanece um mistério, dizem os cientistas.

Localizada na atmosfera, entre 15 e 30 quilômetros acima da superfície da Terra, a camada de ozônio tem um papel fundamental no bloqueio dos raios ultravioleta (UV), que podem causar câncer em humanos e problemas reprodutivos nos animais.

Cientistas do British Antarctic Survey, entidade responsável pelos assuntos relativos aos interesses do Reino Unido na Antártida, foram os primeiros a descobrir um enorme 'buraco' na camada de ozônio sobre o continente gelado em 1985.

As evidências rapidamente apontaram como causa os gases CFC, que foram inventados na década de 1920 e amplamente utilizados em refrigeração e como propulsores em aerossóis, como sprays e desodorantes.

Os países, então, concordaram rapidamente em restringir os CFCs, e o Protocolo de Montreal, de 1987, limitou o uso dessas substâncias.

A proibição internacional total sobre sua produção entrou em vigor em 2010.

Agora, pesquisadores da Universidade de East Anglia, em Londres, descobriram evidências de quatro novos gases que podem destruir o ozônio e que estão sendo lançados na atmosfera a partir de fontes ainda não identificadas.

Três dos gases são CFCs e um é o hidroclorofluorocarboneto (HCFC), que também pode danificar o ozônio.

'Nossa pesquisa identificou quatro gases que não estavam na atmosfera até a década de 1960, o que sugere que eles são produzidos pelo homem', disse o chefe da pesquisa, Johannes Laube.

Os cientistas descobriram os gases analisando blocos de neve. Segundo eles, o ar extraído dessa neve é um 'arquivo natural' do que estava na atmosfera até 100 anos atrás.

Origem desconhecida
Os pesquisadores também analisaram amostras de ar coletadas no Cabo Grim, uma região remota na ilha da Tasmânia, na Austrália.

Eles estimam que cerca de 74 mil toneladas desses gases foram liberados na atmosfera. Dois dos gases estão se acumulando a taxas significativas.

'Nós não sabemos de onde os novos gases estão sendo emitidos e isso deve ser investigado. Fontes possíveis incluem insumos químicos para a produção de inseticidas e solventes para limpeza de componentes eletrônicos', afirmou Laube.

'Além do mais, os três CFCs estão sendo destruídos muito lentamente na atmosfera - por isso, mesmo se as emissões parassem imediatamente, eles ainda permaneceriam na atmosfera por muitas décadas', acrescentou.

Os quatro novos gases foram identificados como CFC-112, CFC112a, CFC-113a, HCFC-133a.

O CFC-113a foi listado como um 'insumo agroquímico para produção de piretróides', um tipo de inseticida que já foi usado largamente na agricultura.

Assim como o HCFC-133a, ele tambem é usado na fabricação de refrigeradores. Os CFC-112 e 112a podem ter sido usados na produção de solventes de limpeza de componentes eléctricos

Outros cientistas reconheceram que, embora as concentrações atuais desses gases sejam pequenas e não representem uma preocupação imediata, uma pesquisa para identificar sua origem precisa ser feita.

'Esse estudo destaca que a destruição do ozônio ainda não é a história do passado', disse Piers Forster, professor da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra. 'As concentrações encontradas neste estudo são minúsculas. No entanto, nos lembra que precisamos estar vigilantes e monitorar continuamente a atmosfera'.

'Das quatro espécies identificadas, CFC-113a parece ser o mais preocupante, já que a emissão, embora ainda pequena, cresce rapidamente', acrescentou.

Observatório descobre a maior estrela amarela já encontrada

Corpo celeste tem tamanho 1.300 vezes maior que o diâmetro do Sol.
Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) fizeram a descoberta.

Fonte: G1 12/03/2014 11h50 - Atualizado em 12/03/2014Da EFE
Imagem mostra o campo em torno da estrela hipergigante amarela HR 5171 (Foto: Divulgação/ESO)

O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) divulgou nesta quarta-feira (12) que foi descoberta a maior estrela amarela já encontrada -- com tamanho superior a 1.300 vezes o diâmetro do Sol, o que a transforma em uma das dez maiores estrelas detectadas até o momento.

Esta hipergigante, batizada de HR 5171 A, foi detectada com o interferômetro do telescópio VLT (Very Large Telescope) do observatório instalado em Nice, França, faz parte de um sistema composto por duas estrelas, onde a segunda, de menor tamanho, se encontra em contato com a maior.

Pesquisas feitas ao longo de 60 anos, algumas vezes por amadores, indicam que este estranho objeto muda rapidamente e foi detectado em uma fase muito breve e instável de sua vida. Devido a essa instabilidade, as hipergigantes amarelas expelem material para o exterior, formando uma atmosfera grande e estendida ao redor da estrela.

Os astrônomos utilizaram na pesquisa uma técnica chamada interferometria, que combina a luz recolhida por múltiplos telescópios individuais, recriando um telescópio gigante de mais de 140 metros de tamanho.
Impressão artística da estrela hipergigante amarela HR 5171 (Foto: Divulgação/ESO)