quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Um muro invisível contra radiação

Um campo de força invisível e impenetrável, a cerca de 11 mil km da superfície da Terra, protege nosso planeta de doses letais de radiação. A descoberta surpreendente e até agora inexplicada foi feita por uma dupla de satélites da Nasa e reportada na edição de hoje da revista científica britânica “Nature”.

Fonte: Portal Uol/Folha POR SALVADOR NOGUEIRA

Misteriosa barreira entre dois cinturões de radiação protege a Terra de partículas nocivas!

Lançadas em 2012, as Van Allen Probes tinham por principal objetivo estudar os chamados cinturões de Van Allen, dois anéis de radiação concentrada produzidos pela interação do campo magnético da Terra com a torrente de partículas carregadas emanada constantemente do Sol.
Os cinturões, aliás, foram a primeira descoberta da era espacial, feita em 1958 pelo cientista americano James Van Allen, da Universidade de Iowa, com dados colhidos pelo primeiro satélite ianque, o Explorer-1. A ambição original do pesquisador era estudar raios cósmicos, mas o satélite acabou fazendo a detecção de uma concentração anormal de partículas.
Originalmente foram detectados dois cinturões: um mais baixo, entre 60 e 10 mil km de altitude, concentra prótons de alta energia, e outro mais distante, entre 13,5 mil e 57,6 mil km de altitude, agrupa elétrons de alta energia.
A nova surpresa só foi possível agora, graças aos instrumentos mais sofisticados já usados para explorar o ambiente dos cinturões. Os cientistas liderados por Dan Baker, ex-aluno do próprio Van Allen e pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder, perceberam que todos os elétrons com os níveis mais altos de energia, que viajam em velocidades próximas à da luz, eram barrados um pouco acima do primeiro dos cinturões. Nenhum deles conseguia passar a barreira dos 11 mil km.
Ainda bem para nós, pois essa seria uma radiação nociva, se chegasse à superfície da Terra. Mas a surpresa é que o bloqueio abrupto observado contraria a expectativa original dos pesquisadres. Eles imaginavam que esses elétrons fossem detidos gradualmente pela atmosfera terrestre, conforme aconteciam colisões entre eles e as moléculas de ar. Uma barreira distinta a 11 mil km é totalmente incompatível com essa premissa.
“É quase como se esses elétrons estivessem trombando com uma parede de vidro no espaço”, disse Baker, em nota. “É um fenômeno extremamente intrigante.”

MISTÉRIO
Os cientistas ainda não têm uma explicação clara do que daria origem à barreira, mas o campo magnético da Terra parece não ter nada a ver com isso. Para descartar essa hipótese, eles estudaram com especial atenção o comportamento dos elétrons sobre o Atlântico Sul. Por alguma razão pouco compreendida, o campo magnético do planeta é mais fraco naquela região — tanto que os cinturões de Van Allen chegam um pouco mais perto da superfície por ali. Se a barreira invisível fosse causada pelo magnetismo terrestre, seria natural que os elétrons conseguissem maior penetração por ali. Mas não. Mesmo naquele ponto o fim da linha é ao redor dos 11 mil km.
Por enquanto, a melhor ideia com que Baker e seus colegas conseguiram se sair é a de que as poucas moléculas gasosas presentes àquela altitude formam um gás ionizado chamado de plasmasfera, que por sua vez emite ondas eletromagnéticas de baixa frequência. Seriam elas as responsáveis por rebater os elétrons altamente energéticos.

Concepção artística de uma das Van Allen Probes, lançadas em 2012.

Como testar a hipótese? O segredo é continuar monitorando os cinturões, em busca de novas pistas do mistério. E é exatamente o que as Van Allen Probes vão fazer. Uma das descobertas já realizadas pelos satélites é que, durante momentos de grande atividade solar, os dois cinturões se desdobram em três. Recentemente, os pesquisadores envolvidos com a sonda desenvolveram software para apresentar as condições daquela região do espaço praticamente em tempo real, o que facilita o acompanhamento dinâmico dos cinturões.
A compreensão desses fenômenos é fundamental para proteger nossos satélites em órbita, que podem ser danificados pela radiação concentrada dos cinturões. E também é importante para garantir a saúde dos astronautas que porventura viajem além da órbita terrestre baixa. Os tripulantes das missões Apollo, que visitaram as imediações da Lua entre 1968 e 1972, tiveram de atravessar os cinturões.
Como a travessia foi feita rapidamente, em cerca de 30 minutos, isso não afetou de forma adversa os intrépidos viajantes espaciais. Um fenômeno curioso, contudo, é que muitos deles reportaram a visualização de flashes luminosos durante a travessia. E eles viam isso até quando estavam com os olhos fechados. As tais “visões” eram resultado de partículas energéticas do cinturão colidindo diretamente em células da retina.
NA TV: Neste sábado (29), na GloboNews, o Mensageiro Sideral irá contar a história da próxima espaçonave americana destinada a levar astronautas além da órbita terrestre. O primeiro lançamento de teste da cápsula Órion acontecerá no fim da semana que vem, num voo sem tripulação. E um dos objetivos da missão será justamente avaliar o impacto do mais interno dos cinturões de Van Allen sobre o ambiente no interior do veículo. Tudo isso e muito mais, neste sábado, a partir das 22h, no “Jornal das 10″ da GloboNews!
Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook e no Twitter

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um cometa a caminho de Marte

Em dez dias, um cometa passará de raspão por Marte. Não deve colidir, mas vai zunir a apenas 132 mil quilômetros de distância da superfície do planeta vermelho. É cerca de um terço da distância entre a Terra e a Lua. Fosse esse encontro por essas bandas, eu estaria apavorado. Mas o bom é que não é, e de quebra temos uma flotilha de espaçonaves em Marte para registrar tudo.

Fonte: Portal UOL/Folha

Concepção artística do cometa Siding Spring a caminho de Marte. Vai errar por pouco.

A Nasa apresenta hoje à tarde ao público seus planos científicos para a ocasião, que incluem um esforço inusitado. Os jipes Opportunity e Curiosity vão fazer hora extra e trabalhar à noite.
Trata-se de uma grande e fortuita oportunidade para estudar um objeto singular. Afinal de contas, o cometa Siding Spring, descoberto no ano passado, não é como seus colegas já visitados por outras espaçonaves. Enquanto cometas como o Halley e o 67P/Churyumov-Gerasimenko (que está sendo visitado pela sonda europeia Rosetta neste exato momento) têm órbitas relativamente modestas, implicando passagens frequentes pelas redondezas do Sol, o Siding Spring é um daqueles cometas que vêm de uma misteriosa região nos confins do Sistema Solar, a chamada nuvem de Oort. Ele viaja numa rota hiperbólica, o que significa dizer que fará agora sua primeira passagem pelo interior do Sistema Solar e, se sobreviver à aproximação máxima do Sol, provavelmente jamais retornará à nossa vizinhança.
Em suma, enquanto todos os cometas que conhecemos de perto já estavam “gastos” pela ação do Sol, o Siding Spring deve estar praticamente como veio ao mundo — um pedaço de gelo e rocha de 4,6 bilhões de anos, remanescente do processo que formou os planetas. É uma chance de ouro. “Nós nunca vimos um desses cometas de perto. Nunca. Não sabemos o que esperar”, diz Karl Battams, especialista em cometas da Nasa.
O estudo desses objetos têm duas conexões interessantes. Eles oferecem lampejos sobre a origem dos sistemas planetários e, por terem grandes quantidades de moléculas orgânicas, também são vistos como possíveis semeadores de compostos precursores da vida em mundos como o nosso.

A SORTE FAVORECE OS EXPLORADORES
De vez em quando a natureza resolve dar uma mãozinha à humanidade em sua incansável busca pelos segredos do Universo. Sobretudo quando o assunto é cometas. Em 1994, vimos o estrago que uma colisão pode causar, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 trombou com Júpiter. Por sorte, tínhamos a sonda Galileo chegando por lá no mesmo momento, o que favoreceu as observações.
Desta vez, uma pancada é improvável. O que veremos será a interação da atmosfera do cometa (gerada pela evaporação de compostos voláteis, como água, conforme o astro avança em direção ao Sol) com a atmosfera do planeta vermelho. E, de novo, por sorte temos duas sondas especializadas no estudo do ar marciano que acabaram de lá chegar: a americana Maven e a indiana MOM.
Todas as precauções estão sendo tomadas para que as espaçonaves corram poucos riscos de danos durante o encontro. E há razão para preocupação: estima-se que, no espaço de poucos dias, elas sofram com impactos de pequenos detritos do cometa que equivalem a cerca de cinco anos de incidência média de meteoritos.
A prioridade, naturalmente, é a segurança das missões. Mas todas as sondas em operação devem fazer observações. Isso inclui as americanas Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, além da europeia Mars Express e as duas recém-chegadas. E até mesmo os jipes robóticos Opportunity e Curiosity vão entrar na dança, tentando tirar fotos do cometa e colhendo dados de sua composição.
O duro é que astronomia na superfície de Marte é como na Terra: a não ser que o objeto de estudo seja o Sol, as observações devem ser feitas à noite. Para os robozinhos, isso consiste em uma desafio especial, pois os equipamentos precisam trabalhar a temperaturas muito baixas, inferiores a -70 graus Celsius. Normalmente, eles “dormem” durante a noite, para conservar a energia de suas baterias. Mas vale a pena abrir uma exceção para uma ocasião como essa.
Então anote aí: dia 19 de outubro, temos um encontro com o cometa Siding Spring, ao vivo de Marte. O Mensageiro Sideral, claro, estará de olho e trará todos os detalhes. Fique ligado!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Plutão pode retomar condição de planeta

Rebaixado' de categoria, Plutão pode retomar condição de planeta

Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de 'planeta anão'.
Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica retomou debate sobre questão.
Da EFE - via Portal G1
Concepção artística mostra Plutão (disco maior) e suas possíveis luas (Foto: NASA, ESA and G. Bacon (STScI))

Plutão foi rebaixado em 2006 à categoria de "planeta anão", mas oito anos depois o debate sobre o status desse corpo celeste renasceu no Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (CfA), nos Estados Unidos.
"Queríamos que as pessoas voltassem a falar sobre isso", afirmou à Agência EFE a especialista em Relações Públicas da instituição, Christine Pulliam, ao ser perguntada por que um dos centros mais destacados em astrofísica voltava a discutir a descaracterização do planeta como tal.
Há oito anos, em 2006, mais de 2.500 especialistas de 75 países se reuniram em Praga, na União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês), e estabeleceram uma nova definição universal do que seria considerado um planeta.
Esta definição distinguiu oito planetas "clássicos" que giravam em órbitas ao redor do Sol e deixava de fora corpos "anões", como Plutão, que ficou no mesmo nível que os mais de 50 corpos que giram em torno do Sol no cinturão de Kuiper.
Porém, os defensores do "patinho feio" do Sistema Solar não se renderam e inclusive fizeram manifestações pedindo aos cientistas que voltassem a admitir a Plutão no clube dos grandes, clamando que "o tamanho não importa".Por isso, oito anos depois e a menos de um ano para que aconteça, em Honolulu (Havaí, EUA), a Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), o Centro Harvard-Smithsonian voltou a abrir o debate. Para isso, convidou três especialistas com opiniões diferentes.O historiador cientista Owen Gingerich, que presidiu o comitê de definição de planetas da IAU, defendeu o status de Plutão como planeta de um ponto de vista histórico e argumentou que "um planeta é uma palavra culturalmente definida que muda com o tempo".Como pôde a União Astronômica Internacional dizer que Plutão era um planeta anão e depois negar-lhe a posição de planeta? Que era, então, só um anão? Gingerich considera que a IAU fez um "abuso da linguagem" ao tentar definir a palavra planeta e que, por isso, não devia ter expulsado Plutão.
O ponto de vista contrário foi defendido pelo diretor associado do Centro de Planetas Menores, Gareth Williams, que apoiou a exclusão de Plutão e definiu os planetas como "corpos esféricos que orbitam ao redor do sol e que limparam seu caminho", ou seja, que tiraram sua órbita de outros astros.
Por sua vez, o diretor da Iniciativa Origens da Vida de Harvard, Dimitar Sasselov, argumentou que um planeta é "a massa menor esférica da matéria que se forma ao redor das estrelas ou restos estelares", o que, segundo sua opinião, devolve Plutão ao clube planetário.
No final das conferências, um público de todas as idades lembrou seus velhos livros e votou a favor do retorno do antigo nono planeta do Sistema Solar a essa condição.
Na realidade, desde seu descobrimento, em 1930, pelo americano Clyde Tombaugh, Plutão foi objeto de disputas, sobretudo devido a seu tamanho, muito menor que o da Terra, e inclusive que o da Lua.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grupo faz mapeamento detalhado da matéria escura no Universo


Um grupo internacional de pesquisadores acaba de concluir um mapeamento
detalhado da distribuição da misteriosa matéria escura pelo Universo.
Ninguém sabe exatamente do que ela é feita, o que se torna ainda mais constrangedor
diante do fato de que a matéria escura responde por 80% de toda a matéria do
Cosmos.
Os novos resultados parecem apoiar o modelo mais popular entre os cientistas,
segundo o qual a matéria escura é composta por partículas que se movem a
velocidades muito inferiores às da luz e que, apesar de ter massa, interagem muito
fracamente com a matéria convencional.
Contudo, o estudo ainda está longe de ser capaz de discriminar de forma definitiva
entre os diversos modelos cosmológicos possíveis.
"Ainda há muitas alternativas que se encaixam", disse à Folha Martín Makler,
pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) que participou do
trabalho, publicado no periódico "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society

O MAPA DO INVISÍVEL
Não é trivial realizar um mapeamento de uma forma de matéria que não emite luz e,
portanto, é invisível.
Os cientistas precisam recorrer ao único efeito detectável produzido pela matéria
escura: a gravidade que ele exerce sobre os objetos visíveis.
Em particular, o grupo, que tem pesquisadores da Suíça, da França, do Canadá, da
Alemanha e do Brasil, explorou um fenômeno que foi primeiro previsto pela teoria da
relatividade geral, de Albert Einstein: as lentes gravitacionais.
É a ideia de que um corpo celeste mais próximo que esteja entre nós e outro objeto
mais distante faz com que os raios de luz do objeto afastado se curvem suavemente,
do mesmo jeito que a refração de uma lente convencional faz.
Como a matéria escura representa muito mais massa do que a convencional, seu
efeito nas lentes gravitacionais é pronunciado. Ao detectar as distorções nos caminhos
da luz, é possível estimar a quantidade de matéria escura no espaço que separa o
objeto mais distante de nós.
O resultado do esforço, feito com o Telescópio Canadá-França-Havaí, é um mapa
bidimensional sem profundidade, portanto da distribuição da matéria escura, que
cobre uma faixa do céu com 170 graus quadrados de área.
RESOLUÇÃO
Uma das novidades importantes do novo estudo é que os pesquisadores incluíram no
mapa as concentrações não muito grandes de matéria escura _os chamados picos
baixos.
"Com isso ganhamos muito mais 'objetos' e, portanto, precisão na medida", destaca
Makler.
O resultado também traz consigo novos mistérios. Os pesquisadores encontraram por
exemplo alguns picos que não correspondem a grupos e aglomerados de galáxias. Ou
seja, os "objetos" que teriam curvado os raios de luz seriam 100% escuros, sem
matéria convencional.
É um achado intrigante, de forma que os cientistas agora estão concentrados em
confirmar que esses picos são reais. "Se não há galáxias ou aglomerados associados,
isso teria fortes implicações para a cosmologia, no nosso conhecimento sobre a
formação de estruturas no Universo", afirma o pesquisador.
Importante lembrar que o estudo também ajuda a desvendar a outra metade do
mistério da cosmologia moderna: a energia escura. Trata-se de uma força que está
acelerando a expansão do Universo, agindo contrariamente à gravidade, e que
ninguém, no momento, sabe exatamente o que é.

Endereço da página:
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/07/1492049-grupo-faz-mapeamento-detalhado-da-materia-escura-no-universo.shtml 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Um Sistema Solar em miniatura

POR SALVADOR NOGUEIRA - Portal Uol.

Concepção artística do planeta Gliese 832c, membro de um sistema de configuração similar ao solar.

Um grupo internacional de astrônomos identificou ao redor de uma estrela anã vermelha o que pode ser considerada uma réplica em miniatura do nosso próprio Sistema Solar.
Na região mais externa do sistema em torno da estrela Gliese 832, já se sabia existir desde 2009 um planeta análogo ao nosso Júpiter, que completa uma volta a cada 9,4 anos.
Agora, o novo achado: garimpando os dados brutos colhidos por telescópios em terra e reprocessando-os com técnicas mais sofisticadas de análise estatística, os pesquisadores liderados por Robert Wittenmyer, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, encontraram o sinal de um segundo planeta, menor, na região mais interna do sistema: uma superterra ou, talvez mais provavelmente, um supervênus.
Esse segundo planeta teria no mínimo 5,4 vezes a massa da nossa Terra (daí o “super” na classificação) e completaria uma volta em torno de sua estrela a cada 36 dias. Em tese, ele está dentro da chamada zona habitável — região do sistema em que ele pode ter água em estado líquido na superfície. Poderia, portanto, ser adequado ao surgimento da vida.
“Dada a grande massa do planeta, contudo, é provável que ele seja envolvido por uma densa atmosfera — o que por sua vez poderia torná-lo inabitável”, escrevem os pesquisadores no artigo que relata a descoberta, aceito para publicação no “Astrophysical Journal”. “Nesse cenário, a atmosfera densa produziria um forte efeito estufa, aumentando a temperatura superficial o suficiente para provocar a evaporação dos oceanos, como se acredita que tenha ocorrido com Vênus muito cedo na evolução do Sistema Solar.”
É importante ressaltar que a essa altura é cedo para concluir que Gliese 832c (como o planeta foi batizado) é uma superterra ou um supervênus. Embora os autores da descoberta apostem que se trata de um mundo inabitável, um cálculo paralelo feito pela equipe do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico em Arecibo sugere que, se o planeta tivesse uma atmosfera similar à da Terra, apenas proporcionalmente maior em razão da massa, sua temperatura média global seria de 22 graus Celsius.
Esse dado, por si só, foi o suficiente para o planeta entrar na terceira posição no ranking organizado por esse grupo de cientistas, em termos de sua potencial similaridade com a Terra. A essa altura, já são 23 os mundos listados como possíveis abrigos para a vida pela turma de Arecibo.
Duas coisas em particular entusiasmam o Mensageiro Sideral neste novo achado. Primeiro, com a descoberta, encontramos um sistema planetário que parece ter seguido a mesma história evolutiva do nosso. Até a descoberta dos primeiros mundos fora do Sistema Solar, os astrônomos imaginavam que esta fosse a receita padrão: planetas gigantes gasosos surgem na periferia do sistema, onde o gás que sobrou da formação da estrela central custa mais a dissipar, e planetas terrestres aparecem nas regiões mais internas, onde há predominância de silicatos (rochas) e pouco gás.
A realidade se mostrou mais variada que isso quando os primeiros exoplanetas em torno de estrelas similares ao Sol começaram a ser descobertos, em 1995. Alguns sistemas têm planetas gasosos numa região extremamente interna, onde em tese eles não poderiam surgir. Outros parecem ter apenas mundos rochosos, sem planetas gigantes. E outros parecem ter só um planetão numa órbita bem elíptica. Claramente, a essa altura, já sabemos que réplicas do Sistema Solar não são um desfecho obrigatório.

UMA CONFIGURAÇÃO AMIGÁVEL
Por que nos importamos em encontrar sistemas planetários semelhantes ao nosso? Não basta que existam mundos rochosos na distância certa da estrela para que a vida surja? Bem, talvez não seja tão simples assim.
O nosso bom e velho Júpiter, por exemplo, tem um papel preponderante para a manutenção das condições que temos na Terra. Simulações mostram que ele serve como uma espécie de escudo contra cometas que poderiam impactar com nosso planeta, desviando-os com sua gravidade poderosa. É fato que, de vez em quando, uma colisão dessas acontece. Mas seria muito mais frequente — talvez algo como um impacto a cada 100 mil anos — se não fosse por Júpiter.
Será que a vida só prospera em sistemas onde há um planeta gigante gasoso que exerça esse efeito protetor? Não sabemos. Fato é que Gliese 832b, o análogo de Júpiter daquele sistema, pode muito bem fazer esse serviço por lá.
Ainda não sabemos quão rara é essa configuração, encontrada aqui e em Gliese 832. Ainda existem viéses de detecção que dificultam a elaboração de estatísticas completas. Ou seja, não conseguimos dizer com que frequência estrelas similares ao Sol produzem sistemas similares ao solar. Mas encontrar alguns exemplares parecidos, como este de agora, ajuda a confirmar a ideia de que análogos do Sistema Solar não são um desfecho improvável do processo de formação planetária — embora decerto sejam menos comuns do que se imaginava antes da era dos exoplanetas.
O maior charme do sistema Gliese 832, contudo, é sua proximidade com a Terra. Ele está a “apenas” 16 anos-luz de distância. Muitos torcem o nariz e dizem: “Como se fosse possível ir até lá.” De fato, com as tecnologias atuais, uma viagem até lá, tripulada ou não, é impossível.
Entretanto, a essa distância, o Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2018, será capaz de analisar a atmosfera do planeta. E, a julgar pelo exemplo terrestre, a composição do ar pode perfeitamente trair a presença de vida. Ou seja, se Gliese 832c for um planeta de fato habitável (com vapor d’água na atmosfera) ou mesmo habitado (quem sabe com oxigênio fora de equilíbrio químico?), podemos saber disso antes que a atual década se esgote.
A pergunta “Estamos sós no Universo?” está cada vez mais próxima de ser respondida. Não sei quanto a você, mas eu me sinto privilegiado por viver exatamente nesta época em particular da história humana. Grandes descobertas nos aguardam.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mistério de 'ilha mágica' em lua de Saturno

Cientistas tentam entender fenômeno em Titã, satélite que teria características parecidas com a Terra; região pode ter tido gelo

 Via Portal IG

Nasa- Titã teria lagos de hidrocarbonetos e uma atmosfera espessa

Há algum tempo os cientistas estão intrigados com um fenômeno - que vem sendo chamado de "ilha mágica" - observado em julho do ano passado pela sonda Cassini, da Nasa, em Titã, maior lua de Saturno.
A sonda observou a "ilha" - na realidade, uma mancha brilhante - durante um sobrevôo por Ligeia Mare, um lago de metano e etano do polo norte de Titã. Mas em suas passagens seguintes ela havia desaparecido.
Agora, um estudo publicado na revista Nature Geoscience defende que a mancha pode ter sido causada tanto pela presença de icebergs na região, quanto pelo reflexo de ondas do lago ou gases que teriam emanado de suas profundezas.
"Ilha mágica é o termo coloquial que estamos usando para nos referir a esse fenômeno, mas na realidade não achamos que se trata de uma ilha", explicou à BBC Jason Hofgartner, da Cornell University, em Nova York, um dos autores do estudo.
Ele diz que, como a luminosidade apareceu e desapareceu muito rapidamente, é improvável que tenha sido causada por uma ilhota vulcânica.
"Temos quatro hipóteses diferentes para explicar as causas desse fenômeno: ondas, bolhas de gás, sólidos flutuantes e sólidos em suspensão"

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Núcleo da Terra não está sincronizado com a rotação do planeta



Sydney (Austrália), 13 mai (EFE).- O núcleo da Terra gira a diferentes velocidades, acelerando e desacelerando com frequência, e este movimento não é sincronizado com a da massa restante do planeta, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira na Austrália.

A pesquisa liderada por Hrvoje Tkalcic da Universidade Nacional Australiana (ANU, na sigla em inglês) revelou que não só a taxa de rotação do núcleo é diferente à do manto - a camada que fica abaixo da crosta terrestre -, mas, além disso, sua velocidade é variável.

"É a primeira evidência experimental que o núcleo roda a diferentes velocidades", disse Tkalcic em comunicado da ANU.

Os pesquisadores descobriram que em comparação com o manto, o núcleo girou mais velozmente na década de 1970 e 1990, mas desacelerou na de 80.

"A aceleração mais dramática provavelmente ocorreu nos últimos anos, embora necessitemos fazer mais testes para confirmar esta observação", comentou Tkalcic, ao lembrar que Edmund Halley tenha especulado que as camadas internas da Terra rodavam em uma velocidade diferente, em 1692.

Para efeitos do estudo, o especialista em física e matemática analisou, através de um método inovador, os registros dos terremotos duplos dos últimos 50 anos para medir a velocidade da rotação do núcleo terrestre.

Os terremotos duplos são dois tremores de magnitude quase idêntica que podem ser registrados em um período que varia entre duas semanas a 40 anos, e que se diferenciam das réplicas.

Tkalcic comentou que lhe pareceu emocionante ver que "inclusive com uma diferença de dez, 20 ou 30 anos, estes terremotos se assemelham. Cada par tem uma leve diferença, e esta corresponde ao núcleo. Pudemos usar essa diferença para reconstruir a história de como o núcleo girou nos últimos 50 anos".

Tkalcic acredita que seu novo método ajudará no entendimento do papel do núcleo terrestre na criação do campo magnético que permitiu a evolução da vida no planeta, ao agir como um escudo contra a radiação cósmica, segundo o comunicado da ANU. EFE

terça-feira, 13 de maio de 2014

Arqueólogo acha carcaça da caravela de Colombo

Arqueólogo diz ter achado carcaça que seria de caravela de Colombo

Do Portal G1
Pintura de Michael Zeno Diemer ilustra a caravela Santa Maria, uma das naus usadas por Cristóvão Colombo no descobrimento da América, em 1492 (Foto: Michael Zeno Diemer/Wikimedia Commons)

Restos achados na costa do Haiti seria da embarcação Santa Maria.
Caravela foi uma das três usadas no Descobrimento da América em 1492.
Arqueólogo especializado em exploração submarina Barry Clifford afirma ter encontrado no fundo do mar do Caribe, perto do Haiti, uma carcaça de embarcação que, segundo ele, pode ser da caravela Santa Maria, uma das três naus comandadas por Cristóvão Colombo no descobrimento da América em 1492 (as outras eram Pinta e Nina).
Clifford disse em entrevista à rede de TV CNN que encontrou a carcaça na área exata onde Colombo afirmava ter encalhado a Santa Maria. O naufrágio está preso em um recife ao largo da costa norte do Haiti, de 10 a 15 metros de profundidade.
"Todas as caracteristicas geográfica e topografia subaquática, além das evidências arqueológicas, sugerem fortemente que este naufrágio é famosa capitânia de Colombo , a Santa Maria", disse o líder de uma recente expedição de reconhecimento ao local.
Ele usou outros estudos feitos por arqueólogos sobre a provável localização do forte onde Colombo ficou instalado. Com esta informação, ele usou dados do diário do navegador genovês para descobrir onde os destroços da embarcação poderiam estar.
Um objeto encontrado junto à carcaça leva Clifford a acreditar que o navio é a caravaela Santa Maria: trata-se de um canhão com características típicas dos fabricados no século XV.
Segundo a CNN, o arqueólogo Charles Beeker, da Universidade de Indiana, passou várias horas debaixo d'água no local e também estudou a documentação do Clifford . "Eu me sinto Barry tem provas muito convincentes ", disse Beeker. " Barry pode ter finalmente descoberto a 1492 Santa Maria."
O explorador agora negocia com o governo do Haiti uma autorização para poder fazer escavações no fundo do mar para poder colher partes da carcaça. Por enquanto Clifford e sua equipe fizeram apenas registros fotográficos do local.
Santa Maria foi uma das embarcações usadas na pequena frota de Colombo, que partiu da Espanha em agosto 1492, sob o patrocínio do rei Fernando II e da rainha Isabel I.
A viagem teve como objetivo encontrar uma rota para a Índia e a China, mas em outubro do mesmo ano os navegantes chegaram ao Haiti, onde estabeleceu um forte.
Em dezembro daquele ano, o Santa Maria acidentalmente encalhou ao largo da costa da ilha. Algumas tábuas e provisões do navio naufragado, que era cerca de 117 pés (36 metros) de comprimento, foram utilizados pela guarnição no forte, de acordo com a Encyclopaedia Britannica. Colombo partiu de volta para a Espanha com os dois navios restantes, a Nina e a Pinta, em janeiro de 1493.

O Irmão Perdido do Sol

POR SALVADOR NOGUEIRA -  portal Uol

HD 162826: será um irmão perdido do Sol?

Parece enredo de novela mexicana: o astrônomo Ivan Ramirez encontrou um irmão do Sol perdido há muito tempo — um reencontro após 4,6 bilhões de anos vagando solitariamente pela Via Láctea.
Vamos à triste história, com possível final feliz. Estrelas, em certo sentido, são como bebês: nascem em maternidades — grandes nuvens de gás e poeira que produzem milhares de astros ao mesmo tempo — e passam seus primeiros dias lado a lado com seus colegas recém-nascidos, antes de vagarosamente se afastarem e dissiparem o aglomerado.
Você se lembra de algum dos bebês que estavam ao seu lado logo após o seu nascimento? Pois é, também não sabemos quem estava ao lado do Sol quando ele surgiu, há 4,6 bilhões de anos, junto com seus planetas (inclusive a Terra). Diante dessa dificuldade em identificar membros do aglomerado original, há até quem acredite que nossa estrela pode ter nascido solitária — algo como esses partos em casa, que estão na moda atualmente, apesar de ainda serem a absoluta minoria dos casos. Contudo, o mais provável é que ele tenha sido apenas um de uma vasta coleção de estrelas, crepitando em seus berços até receberem “alta” da maternidade e poderem encontrar seu próprio caminho em órbitas separadas ao redor do centro da Via Láctea.
Agora, Ramirez, da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, parece ter feito o impossível: identificar um desses irmãos há muito desgarrados do Sol.

QUEM É?
A estrela tem 15% mais massa que a nossa e recebeu um nome pouco glamuroso nos catálogos estelares: HD 162826. Está localizada a 110 anos-luz da Terra, na constelação de Hércules, e carrega consigo uma composição química muito similar à solar. Isso, por si só, consiste em possível evidência de que ela foi forjada na mesma nuvem de gás e poeira que gerou o Sol. Mas não prova nada. Afinal, em meio às centenas de bilhões de estrelas da nossa Via Láctea, muitas podem ter composição similar à do Sol sem ter relação nenhuma com ele.
Entra em cena a segunda linha de evidência obtida pelos pesquisadores: eles analisaram a órbita da estrela em torno do centro da Via Láctea e compararam com a trajetória do Sol, computando a distância ao longo do tempo. Rebobinando a fita até 4,6 bilhões de anos atrás, eles perceberam que a distância entre ambas nunca foi absurdamente grande, e já chegou a estar tão perto quanto 32 anos-luz. Claro, existe também uma grande incerteza com relação a isso, porque encontros próximos com estrelas maiores podem ter produzido ligeiros desvios orbitais (tanto no Sol como em HD 162826) ao longo dos últimos bilhões de anos, criando uma ilusão acidental de proximidade em tempos antigos.
É só a soma das duas evidências que permite especular que talvez seja um colega de berçário do Sol. Mas não podemos afirmar com certeza. Estrelas, diferentemente de pessoas, não conservam certidões de nascimento. De toda forma, é tentador imaginar que HD 162826 nos ajude a reconstruir um passado há muito perdido.

E O SISTEMA PLANETÁRIO?
Por sorte, 15 anos antes que Ramirez identificasse a estrela como potencial colega de berçário do Sol, outros astrônomos do Observatório McDonald estiveram observando a HD 162826 em busca de sinais de planetas ao seu redor.
A boa notícia é que já se pode descartar a presença de um Júpiter Quente — ou seja, um planeta gigante gasoso colado à estrela, que tenha devastado o sistema planetário ao migrar de sua região de formação para uma órbita mais curta. Em compensação, apesar de 15 anos de dados, não há evidência de nenhum gigante gasoso ao estilo do nosso Júpiter, com uma órbita de periodicidade de 12 anos. Não dá para descartar por completo, mas os pesquisadores estimam em 65% a chance de que não exista um Júpiter por lá.
Bem, se não há certeza quanto a gigantes gasosos, imagine planetas rochosos. É bem possível que existam vários mundos de tipo terrestre em torno da estrela, mas os dados colhidos não dão nenhum sinal deles — são pequenos demais para ser detectados.
Ramirez e seus colegas, entretanto, não desanimam. Eles acham que encontrar outras estrelas que potencialmente nasceram com o Sol pode ser o caminho para localizar outros sistemas planetários análogos ao nosso. Por isso, estão concentrando seus esforços em identificar métodos que permitam apontar mais rapidamente outros possíveis colegas de berçário solares.
“Não invista muito tempo analisando todos os detalhes em cada estrela”, diz o astrônomo. “Você pode se concentrar em certos elementos químicos chave que serão muito úteis.” Eles sugerem que a presença de elementos químicos como bário e ítrio podem ser especialmente importantes, apontando a região de origem da estrela em vez de uma composição similar produzida em outra parte da galáxia.
De posse de mais candidatos, eles esperam que o satélite europeu Gaia consiga determinar com mais precisão a órbita dessas estrelas, de forma que seja possível encontrar por simulações dinâmicas seu local de origem. Ainda continua sendo um sonho distante reconstruir a vizinhança original do Sol. Mas ao que parece não fracassaremos por falta de tentar. O trabalho original foi aceito para publicação no “Astrophysical Journal”.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Nasa apresenta Roupa espacial para viagem a Marte

Nasa apresenta protótipo de roupa espacial para viagem a Marte

 Via Portal Uol

A Nasa, a agência espacial americana, apresentou um novo modelo que servirá de diretriz para as roupas dos astronautas que farão a primeira viagem a Marte. O protótipo Z-2 Tecnologia foi escolhido por meio de votação popular no site da agência, ao ganhar 63% dos 233.431 votos dos internautas. A roupa especial possui pequenos remendos que emitem luz e usa uma costura luminescente que pode ser customizada para identificar o usuário.
A Nasa, a agência espacial americana, apresentou um novo modelo que servirá de diretriz para as roupas dos astronautas que farão a primeira viagem a Marte.

O protótipo Z-2 Tecnologia foi escolhido por meio de votação popular no site da agência, ao ganhar 63% dos 233.431 votos dos internautas.

A roupa especial possui pequenos remendos que emitem luz. Além disso, usa uma costura luminescente que pode ser customizada para identificar o usuário.


Nasa/BBC Brasil
Em 2012, a Nasa lançou o Z-1, que parece o traje usado pelo personagem Buzz Lightyear, dos filmes Toy Story
Os outros trajes em disputa eram:
. o traje Bio-mimetismo, que reproduz a bioluminescência de criaturas aquáticas e as escamas rígidas de peixes e répteis.
. o traje Tendências na Sociedade, que, com um visual mais esportivo, sugere como nossas roupas vão aparentar no futuro.

Apelo estético
O Z-2 será construído usando partes impressas em 3D. Já scanners de laser de 3D vão assegurar que cada traje se adeque perfeitamente ao corpo de cada astronauta.

A roupa será testada em câmaras a vácuo, no centro de treinamento da Nasa e em um local que imita a superfície montanhosa de Marte.
A Nasa espera construir o Z-2 até novembro deste ano. O traje é apenas um protótipo e só será usado para testes e não para viagens.
Em 2012, a Nasa lançou o Z-1, cujo formato guarda semelhanças com o traje usado pelo personagem Buzz Lightyear, dos filmes Toy Story.
Primeira grande "revisão" do traje espacial em cerca de 30 anos, o Z-1 foi considerado uma das melhores invenções do ano pela revista Time.
"Cada modelo da série Z vai aperfeiçoar novas tecnologias que um dia serão usadas em um traje pelos primeiros humanos a pisarem no Planeta Vermelho", informou a Nasa, por meio de um comunicado.
Já o Z-2 "presta homenagem às conquistas das roupas espaciais do passado enquanto incorpora elementos do futuro".
A composição rígida do torso superior "fornece a durabilidade necessária a longo prazo que um traje de atividade planetária extraveicular vai exigir", mas, apesar de seu "apelo estético", o protótipo não é feito do mesmo material durável projetado para proteger os astronautas de chuvas de pequenos meteoritos, temperaturas extremas e radiação, acrescentou a Nasa.


Veja imagens do jipe-robô Curiosity em Marte
fev.2014 - O robô Curiosity da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) completou mais 100 metros em seu percurso em Marte. A novidade? É que desta vez ele fez o caminho "de costas". Esta técnica foi usada para minimizar o gasto das rodas de alumínio do robô, que têm surpreendido os cientistas por se desgastar mais rápido do que o esperado desde que aterrissou no planeta vermelho em agosto de 2012. Vale lembrar que este é o maior percurso do robô em três meses Reprodução/Facebook Curiosity

segunda-feira, 5 de maio de 2014

EXOPLANETA TEM ROTAÇÃO EM VELOCIDADE RECORDE

Pela primeira vez, cientistas medem rotação vertiginosa de planeta distante


 via portal Uol
NASA/Goddard Space Flight Center/F. Reddy
Pelo primeira vez, os cientistas conseguiram medir a rotação de um planeta fora do Sistema Solar

Cientistas conseguiram medir, pela primeira vez, a rotação de um planeta em outro sistema solar, um gigante jovem e gasoso girando a vertiginosos 90.000 km/h, anunciaram nesta quarta-feira.
Na órbita de uma estrela cerca de 63 anos-luz distante da Terra, o Beta Pictoris b é mais de 16 vezes maior e 3.000 mais maciço que o nosso planeta, mas seus dias duram apenas oito horas.
"O Beta Pictoris b gira significativamente mais rápido do que qualquer planeta do sistema solar", a uma taxa de cerca de 25 km/seg (90.000 km/h), relatou a equipe de astrônomos holandeses em artigo na revista científica Nature.
Essa associação permite prever um giro, inclusive, duas vezes mais rápido, de cerca de 50 km/seg (180 km/h) para Beta Pictoris b, mas a equipe observou que o planeta ainda é jovem e quente e, provavelmente, vai acelerar à medida que resfriar e encolher para chegar ao tamanho de Júpiter nas próximas centenas de milhões de anos.
O planeta orbita a estrela Beta Pictoris, na constelação austral de Pictor (cavalete do pintor).
Descoberto cerca de seis anos atrás, ele orbita sua estrela a uma distância oito vezes maior à entre a Terra e o sol.
Beta Pictoris b tem cerca de 20 milhões de anos, sendo muito jovem para os padrões astronômicos. A Terra, por exemplo, tem 4,5 bilhões de anos.
Os astrônomos usaram uma técnica chamada espectroscopia de alta dispersão para medir as mudanças nos comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta e, com isso, determinar sua velocidade de giro.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Um planeta sem sol

Um cientista americano acaba de descobrir um planeta órfão, que não tem sol. Ele está flutuando pelo espaço, não muito distante do Sistema Solar. O achado vem se somar a outros para consolidar cada vez mais a noção de que é difícil estabelecer uma separação clara entre planetas e estrelas.

POR SALVADOR NOGUEIRA - Portal Uol


Um planeta órfão e solitário, vagando pelo espaço sem a companhia de uma estrela-mãe

O novo objeto, que atende pela feiosa designação WISE J085510.83–071442.5, tem entre 3 e 10 vezes a massa de Júpiter — é um gigante gasoso, portanto — e, como seria de se esperar de um astro que não gira em torno de uma estrela, é frio. Sua temperatura estimada gira entre -48 e -13 graus Celsius. Aliás, só não é mais frio que isso porque provavelmente ainda retém algum calor proveniente de seu processo de formação. E ainda bem, porque é o fato de não ser completamente congelado que permitiu sua detecção, por meio de um suave brilho em luz infravermelha detectado pelo satélite Wise, da Nasa.
O achado tem chamado a atenção dos astrônomos por duas razões: primeiro porque é o astro mais frio desse tipo já detectado. Segundo porque ninguém sabe direito como chamá-lo. O autor da descoberta, Kevin Luhman, da Universidade Estadual da Pensilvânia, preferiu defini-lo como uma “anã marrom”. Essa classe de objetos é composta por estrelas “abortadas”, que não conseguiram reunir massa suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio em seu núcleo e, por isso mesmo, não “acenderam”. Só que parte da comunidade astronômica traça a linha entre planetas e anãs marrons num limite de 13 vezes a massa de Júpiter. Seguindo esse critério, o achado seria um planeta órfão, e não uma anã marrom.
A sugestão vem do fato de que, com mais massa que isso, o objeto consegue ao menos fundir deutério (versão mais pesada do átomo de hidrogênio, com um próton e um nêutron no núcleo), gerando uma módica quantidade de energia térmica. Agora, se ele tem menos de 13 massas de Júpiter, nem isso ele consegue. É uma bola morta de gás, que vai se resfriando conforme o calor interno da formação se esvai, ao longo de bilhões de anos. Bem a cara de um planeta gigante gasoso, só que sem uma estrela para chamar de mãe.
Luhman está pintando e bordando em tempos recentes com os dados do satélite Wise. Num estudo recente, ele praticamente descartou a presença de um planeta X nas profundezas do Sistema Solar (para a tristeza dos nibirutas), e noutro ele conseguiu analisar o padrão de nuvens de uma anã marrompertencente a um par binário que ele mesmo descobriu. A descoberta do WISE J085510.83–071442.5 (para os íntimos, WISE 0855–0714) é o terceiro trabalho bombástico em sequência. O astrônomo americano está rapidamente se tornando o rei das anãs marrons. Esse último artigo foi publicado na última segunda-feira no “Astrophysical Journal Letters”.

PLANETAS SOLITÁRIOS (E PRÓXIMOS)
O achado, na prática, demonstra que pelo menos um certo tipo de planeta — gigantes gasosos maiores que Júpiter, mas menores que as anãs marrons — pode se formar sozinho no espaço, pelo mesmo processo que leva ao surgimento de estrelas.
Também é muito interessante observar a proximidade que esse astro recém-descoberto guarda do Sistema Solar. O objeto está a 7,1 anos-luz da Terra, uma distância que faz dele o quarto sistema mais próximo (perdendo apenas do trio em Alfa Centauri, da anã vermelha conhecida como Estrela de Barnard e do par binário de anãs marrons descoberto anteriormente pelo próprio Luhman). Não chega a ser uma distância para encorajar nibirutices, mas me faz pensar em algo que o físico britânico Freeman Dyson disse, ao refletir sobre viagens interestelares.
Costumamos pensar que uma viagem até a estrela mais próxima (Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz) significa que a humanidade terá de atravessar essa imensa distância (cerca de 40 trilhões de quilômetros) numa pernada só. Isso, por sua vez, faz muitos pensarem que voo interestelar é impraticável. Dyson, contudo, destaca que há muita coisa nesse suposto vazio entre uma estrela e outra. Ele sugere que viagens interestelares podem ser feitas mais ou menos do mesmo jeito que os antigos polinésios atravessaram o oceano Pacífico — pulando de ilha em ilha.
Já sabemos que há muitos objetos de porte razoável além de Netuno (planetas anões como Plutão e Éris), que poderiam nos receber e abrigar colônias humanas instaladas em ambientes controlados, a despeito do frio intenso. De lá, podemos saltar para objetos que ora se aproximam daquela região, ora se afastam, como o Quaoar. Numa terceira parada, teríamos os possíveis planetas anões presentes na nuvem de Oort, que se estende até um ano-luz de distância do Sol. De lá, quem disse que não encontraremos planetas órfãos — pequenas ilhas no vazio cósmico — que nos ajudem a atravessar os três anos-luz restantes?
Além de planetas que não conseguiram virar anãs marrons, podemos encontrar astros de todo tipo que nasceram em torno de estrelas, mas depois foram ejetados de seus sistemas planetários de origem e agora seguem órbitas em torno do centro da Via Láctea. Eles são praticamente invisíveis para nós daqui, visto que são pequenos, distantes e gelados, mas talvez possam ser detectados pela humanidade do futuro, que já tiver estabelecido uma estação de pesquisa em Quaoar.
Além de turvar a distinção que fazemos de planetas e estrelas, esses astros órfãos realçam a incrível variedade do cosmos. E nos fazem lembrar que não podemos restringir nossa imaginação aos próximos dez anos, ou mesmo ao próximo século. O Homo sapiens já tem 200 mil anos. Se continuar existindo por outros 200 mil, o que não poderá estar fazendo no longínquo ano de 202.014? Gosto do Dyson sobretudo porque ele não tem medo de pensar grande. Quando você se vê diante do tempo em escala astronômica, nada parece impossível.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Encontramos outra Terra no Universo

Momento histórico: encontramos outra Terra no Universo
POR SALVADOR NOGUEIRA
Portal uol/Folha

Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico “Science”: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida — e vida — em sua superfície.

Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água

O anúncio está sendo feito neste momento numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa (uma reportagem mais completa sobre o achado, produzida por este escriba, estará amanhã nas páginas da Folha). O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.
A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável — região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.
Numa nota pessoal, lembro-me de ter já conversado antes com Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa que é a primeira autora da descoberta. Em 2002, ela produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri — o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol — podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. Imagino a realização pessoal dela de, depois de “conceber” por tantos anos mundos como esse em computador, finalmente poder reportar uma descoberta dessa magnitude. Não de uma simulação, mas da fria realidade da observação!
Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização — a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera.
Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias.

Descoberto o mais antigo ancestral dos animais herbívoros terrestres

Fóssil encontrado nos Estados Unidos permitiu descrição da espécie.
Esqueleto apresentava características ligadas à linhagem de herbívoros.
Da AFP - portal G1
Concepção artística mostra Eocasea, o ancestral mais antigo dos herbívoros (Foto: Danielle Dufault/Divulgação)

Paleontólogos descobriram o mais antigo ancestral dos herbívoros terrestres, com 300 milhões de anos. O espécime ajuda a esclarecer o aparecimento dessa forma de alimentação no mundo animal, determinante para a evolução do ecossistema terrestre atual.
O fóssil parcial deste animal, denominado Eocasea martini, que tinha menos de 20 centímetros de comprimento, representa "o primeiro vínculo entre os carnívoros e os herbívoros", disse à AFP o paleontólogo Robert Reisz, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, principal responsável pela descoberta, divulgada em artigo publicado nesta quarta-feira (16) na revista americana "PLOS ONE".
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O esqueleto do Eocasea, ainda um carnívoro, apresentava certas características estreitamente relacionadas a uma linhagem de herbívoros, acrescentou Reisz, indicando que apenas uma parte do crânio, o essencial da coluna vertebral, a pélvis e uma pata traseira foram recuperados no Kansas.
Este animal, que viveu 80 milhões de anos antes do aparecimento dos dinossauros, fazia parte da classe Synapsida, que inclui os primeiros herbívoros terrestres e os grandes predadores, ancestrais dos mamíferos modernos.
Antes da emergência dos herbívoros, um pouco depois do Eocasea, os animais terrestres, todos carnívoros, alimentavam-se uns dos outros, ou comiam insetos. O aparecimento dos herbívoros "foi uma revolução da vida sobre a Terra, porque significou que os vertebrados puderam ter acesso diretamente a vastos recursos alimentares oferecidos pelos vegetais", destacou o pesquisador.
Os herbívoros, que se multiplicaram e cresceram, por sua vez, viraram uma fonte importante de nutrição para os grandes predadores, completou.
Assim, o Eocasea foi o primeiro animal a ativar um processo que resultou no ecossistema terrestre atual, no qual um grande número de herbívoros assegura o aporte alimentar de um número cada vez menor de grandes predadores, observou o professor Reisz.
Este fenômeno ocorre depois separadamente em outros grupos de animais, em pelo menos cinco ocasiões, afirmou.
"Uma vez que a via para o mundo da alimentação herbívora foi aberta pelo Eocasea (...), vários grupos de animais continuaram evoluindo para desenvolver os mesmos traços", permitindo-lhes digerir a celulose, um glicídio que é a principal fonte de energia fornecida pelas plantas.
"Os primeiros dinossauros eram todos carnívoros antes que um grande número se tornasse herbívoro" no curso da evolução, revelou o cientista. Mas, ele admitiu, "não compreendemos porque essa evolução de carnívoro para herbívoro não aconteceu mais cedo, nem as razões pelas quais ela ocorreu separadamente em várias linhagens animais".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Saturno pode ganhar mais uma lua; planeta já conta com 62

Nova lua pode estar sendo formada em um dos anéis do planeta e já foi chamada de "Peggy" pelos cientistas

Portal Terra

A mancha brilhante na borda inferior do anel é estimado em cerca de 750 km de comprimento e mostra onde Peggy estaria sendo formadaFoto: Nasa / Divulgação

Novas imagens da Nasa sugerem que Saturno pode estar passando por um processo de formação de uma nova lua, que já foi nomeada de “Peggy” pelos cientistas. As informações são do The Independent.
O novo e pequeno satélite não foi visto diretamente, mas, em uma imagem captada pela Nasa, é possível perceber uma protuberância brilhante em um dos seus anéis mais externos, o que sugeriria que há realmente uma nova lua, além das 62 que o planeta já possui.
Imagem de Saturno pela Nasa em 2004Foto: Getty Images

“Não é esperado que Peggy cresça mais e ela pode até estar se despedaçando", disse o astrônomo Carl Murray, principal autor de um estudo que descobriu a nova lua.
Os anéis de Saturno são compostos quase inteiramente de gelo, além de uma pequena quantidade de material rochoso.
Pesquisas mostram que o planeta tinha um sistema de anéis muito mais maciço, sendo capaz de formar satélites maiores. Com isso, "Peggy" provavelmente será pequeno, com cerca de 800 metros de diâmetro, muito menor, por exemplo, se comparada com a maior lua de Saturno, Titan, que tem mais de 5 mil quilômetros de diâmetro.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eclipse 'Lua de sangue"

Veja imagens do eclipse 'Lua de sangue'

Eclipse total põe satélite na sombra da Terra em relação ao Sol.
Fenômeno pouco frequente dá tom avermelhado à Lua.

Do G1, em São Paulo
Lua vermelha vista de Burbank, na Califórnia, EUA (Foto: Kevin Winter/Getty Images/AFP)

O continente americano viu nesta terça-feira (15) um eclipse lunar conhecido como "Lua de sangue", quando o nosso satélite natural fica na sombra da Terra em relação ao Sol e ganha um tom avermelhado.
No Brasil, esse eclipse total pôde ser visto desde as 3h, por cerca de 78 minutos, de diferentes partes do país, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Os eclipses totais da Lua, quando o satélite cruza o cone de sombra da Terra, são pouco frequentes – o último ocorreu no dia 10 de dezembro de 2011. A última vez que aconteceu uma série de quatro eclipses lunares totais foi entre 2003 e 2004, segundo a agência espanhola EFE.
Progressão do eclipse lunar total visto em Miami, nos EUA (Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP)
saiba mais
Este é primeiro de uma série de quatro eclipses lunares que deve ocorrer, aproximadamente, a cada 6 meses e se repetir apenas sete vezes neste século. O próximo eclipse total está previsto para o dia 8 de outubro.
Ainda este ano, também será possível observar dois eclipses solares – um em abril e outro em outubro.
Eclipse lunar é visto em Brasília, parecendo uma bola de basquete sobre a estátua de JK (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A agência espacial americana (Nasa) explicou que a "Lua de sangue" é quando a região periférica da Lua ingressa no centro da sombra da Terra, que tem a cor âmbar. É durante esse período que o satélite é visto do nosso planeta com uma cor avermelhada, causada pela luz do Sol e matizada por sua passagem pela atmosfera terrestre – algo similar à coloração que a luz solar adquire nos crepúsculos.
Ao longo da história, os eclipses solares e lunares estiveram rodeados de muitas superstições e referências a profecias sobre desastres naturais de grande magnitude.
Veja abaixo os eclipses previstos para 2014:
- 15 de abril: Eclipse total da Lua – visível na parte oeste da África, na parte oeste da Europa, Américas, Austrália e leste da Ásia
- 29 de abril: Eclipse anular do Sol (quando a Lua fica na frente do Sol e se forma um "anel" do Sol em volta da Lua) - visível na Antártica e Austrália
- 8 de outubro: Eclipse total da Lua - visível nas Américas, na Austrália e Ásia
- 23 de outubro: Eclipse parcial do Sol - visível na maior parte da América do Norte, no México e na Rússia
Misael Bandeira, de Candelária (RS), ficou acordado até mais tarde para registar a Lua de Sangue (Foto: Misael Bandeira/VC no G1)
Francisco da Silva, morador de Feira de Santana (BA) registrou pela segunda vez esse tipo de eclipse lunar (Foto: Francisco da Silva/Vc no G1)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma possível lua fora do Sistema Solar

POR SALVADOR NOGUEIRA
Portal Uol 11/04/14

Pela primeira vez, astrônomos afirmam ter encontrado possíveis sinais de uma lua fora do Sistema Solar.

Astrônomos encontram uma lua em torno de um planeta errante. Ou não.

Agora as más notícias. Pode ser simplesmente uma estrela com um planeta, e lua nenhuma. E o pior: nunca saberemos.
O motivo é a técnica envolvida na observação. Ela explora um fenômeno conhecido como “microlente gravitacional”. Isso acontece quando um objeto mais próximo passa à frente de uma estrela mais distante, com relação a nós.
A gravidade do objeto mais próximo curva os raios de luz da estrela distante, como se fosse uma lente. Ao observar os padrões da microlente, os astrônomos tentam adivinhar detalhes do objeto que a produziu — e de possíveis astros muito discretos para serem notados numa observação direta.
No caso em questão, a única coisa que o grupo internacional composto por pesquisadores do Japão, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos conseguiu determinar é que dois objetos diferentes produziram a microlente, e um tem 2.000 vezes mais massa do que o outro.
Conhecendo as possibilidades astrofísicas que isso traz, das duas uma: ou temos um planeta errante (ou seja, que vaga pelo espaço sem girar em torno de uma estrela) um pouco maior do que Júpiter com uma lua menor que a Terra, ou temos uma estrela discreta com um planeta cerca de 18 vezes mais massivo que o nosso.
É basicamente a diferença entre uma coisa nunca antes observada e o mais banal dos achados. E nunca saberemos. “Não teremos a chance de observar a exolua candidata novamente”, afirma David Bennett, da Universidade de Notre Dame, nos EUA, autor principal do trabalho, publicado nas páginas do “Astrophysical Journal”.

A CAÇA ÀS LUAS
Muitos astrônomos estão concentrados na busca de satélites naturais em torno de planetas fora do Sistema Solar. Por quê? Porque eles podem muito bem ser ótimos abrigos para a vida.
Imagine um planeta gigante, como Júpiter, só que localizado a uma distância de sua estrela similar à que a Terra guarda do Sol. Como a bola gasosa que é, ele continuaria tão inabitável como de costume. Mas o que dizer de luas que estejam ao seu redor? Não é difícil imaginar múltiplos satélites naturais capazes de abrigar vida!
Temos um viés natural de procurar os alienígenas em planetas como a Terra, mas talvez as luas sejam as maiorais no que diz respeito ao desenvolvimento de biosferas. Por isso os cientistas estão tão ansiosos em saber o quanto o Sistema Solar é típico ou exótico, em termos de suas luas.
Por ora, contudo, teremos de nos contentar somente com esse quase achado, que não diz quase nada sobre esse assunto…

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Marte Ficará visível hoje a noite


Planeta vermelho aparece ao leste ao anoitecer e cruza o céu perto de estrela brilhante para se pôr no oeste ao nascer do Sol

O Planeta Marte estará muito mais brilhante neste mês de abril e poderá ser visto a olho nu em todo o país na noite desta terça-feira (8). Ele estará em oposição ao Sol, ou seja, cada um estará de um lado diferente da Terra.

Nasa
Planeta Marte será observado a olho nu da terra neste mês

As oposições ocorrem a cada dois anos, aproximadamente, quando Marte fica a uma distância mínima da Terra. O espaço entre os dois planetas na noite de hoje será 93 milhões de quilômetros.
O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, explica que as distâncias variam consideravelmente. “Como comparação, em 2003 houve outra aproximação e os dois planetas ficaram a 56 milhões de quilômetros de distância, por uma questão de conjugação de órbitas”.
O planeta vermelho vai aparecer ao Leste ao anoitecer. Vai cruzar o céu, próximo à Espiga, que é a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se por no Oeste ao nascer do Sol.
Então, esta noite, olhando para cima, Marte será um ponto laranja.

O Cosmos da nova geração

Nova versão da clássica série de Carl Sagan apresenta um espetáculo científico, mas tem a dura missão de ser tão relevante quanto a original para novas gerações de espectadores.
Fonte Uol Ciencias

A nova série ‘Cosmos’ tem como meta atualizar a clássica produção estrelada por Carl Sagan, utilizando a tecnologia para ambientar uma fantástica viagem pelo espaço-tempo. (imagem: divulgação)

Na onda dos remakes na indústria do entretenimento, uma clássica série dos anos 1980 voltou repaginada à programação da TV em 2014. Cosmos, originalmente apresentada pelo astrofísico norte-americano Carl Sagan, no entanto, não é uma produção qualquer: foi um marco na história da divulgação científica mundial.
A nova versão propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo
A nova versão, que propõe uma viagem mais tecnológica e visual pelo espaço-tempo – agora guiada pelo também astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, discípulo do próprio Sagan –, precisa lidar com outras questões científicas e contextos socioculturais distintos para responder a uma pergunta ingrata: é possível ser relevante como sua predecessora num mundo globalizado e com uma concorrência muito maior de seriados semelhantes?
A Cosmos original, que estreou na rede norte-americana PBS em 1980, apresentou a toda uma geração, nos resquícios da corrida espacial e da Guerra Fria, temas como a exploração do espaço, a história da Terra, a origem da vida e possibilidade de vida fora de nosso planeta. Vista por centenas de milhões de pessoas, inovou ao apresentar a discussão científica como entretenimento, explorando temas complexos de forma simples. Sucesso de crítica, a produção recebeu três prêmios Emmy e a versão impressa dos roteiros do programa foi elencada em 2012 pela Biblioteca do Congresso norte-americano entre os 88 livros que deram forma aos Estados Unidos.

A série ‘Cosmos’ original foi um importante marco da popularização da ciência, tendo sido assistida por centenas de milhões de telespectadores em todo o mundo. (foto: Wikimedia Commons)

O remake de 2014 estreou no início de março – o terceiro capítulo, de um total de 13, vai ao ar nesta quinta-feira (27/03), às 22h30, no National Geographic Channel – e conta com a participação da viúva e colaboradora de Sagan, Ann Druyan, além da produção executiva de Seth Macfarlane (criador do desenho Uma família da pesada e fã declarado de Sagan). Seu objetivo é o mesmo da série original: levar a ciência a todos os públicos. “Quando Sagan era vivo, não tentávamos pregar para os convertidos. Queríamos evocar nas pessoas, que talvez fossem até hostis à ciência, um senso de deslumbramento”, afirmou Druyan ao Space.com.

Veja toda a reportagem em: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2014/03/o-cosmos-da-nova-geracao

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cientistas descobrem oceano em uma das luas de Saturno

Mar de Enceladus tem 10 km de profundidade sob grossa camada de gelo.
Não foi possível determinar se existe alguma forma de vida.

Da Associated Press - via Portal G1

Ilustração feita pela Nasa mostra simulação do oceano na parte sul de lua de Saturno (Foto: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Cientistas descobriram um vasto oceano sob a superfície gelada de uma das luas de Saturno, a Enceladus. Pesquisadores italianos e norte-americanos fizeram a descoberta usando a sonda Cassini, da Agência Espacial Americana (Nasa). Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (3). Saturno tem mais de 60 luas orbitando ao seu redor.
Este novo oceano está centrado no polo sul de Enceladus e pode abranger boa parte da lua, que tem 310 milhas de diâmetro. Os dados obtidos não mostram se o oceano se estende até o polo norte da lua de Saturno. Nuvens de vapor de água e gelo foram detectadas pela primeira vez em 2005 na região polar sul.
Segundo Luciano Iess, da Universidade de Ciências de Roma, o mar tem 10 km de profundidade sob grossa espessura de 30 a 40 km de gelo.

Os pesquisadores não conseguiram determinar se o mar abriga alguma forma de vida. Para isso são necessários instrumentos de busca mais sofisticados.
Nuvens de vapor de água foram detectadas na região polar sul (Foto: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Observatório no Chile mostra galáxia 'devoradora'

Sinais em imagens sugerem que galáxia pode ter engolido outras durante sua história.

BBC Via portal G1
As duas galáxias, NGC 1317 (menor) e a NGC 1316; sinais mostram passado turbulento de galáxia maior (Foto: ESO/Divulgação/BBC)

Uma nova imagem obtida pelo telescópio MPG/ESO, do Observatório Europeu do Sul, mostra uma galáxia que teria devorado várias outras ao longo de sua história.
A imagem capturou duas galáxias contrastantes: a NGC 1316 e uma menor, a NGC 1317 (à direita, na foto).
Segundo os pesquisadores, a pequena galáxia NGC 1317, em formato espiral, teve uma vida mais calma. Mas a maior, a NGC 1316, engoliu várias outras galáxias.
E, devido à proximidade, a pequena NGC 1317 poderá se transformar na próxima 'vítima' da galáxia 'assassina'.

Cicatrizes de guerra
Segundo os cientistas, vários indícios na estrutura da NGC1316 mostram que a galáxia teve um passado atribulado.
Os astrônomos afirmam que as longas faixas de poeira cósmica próximas a seu centro e uma população de pequenos aglomerados estelares são sinais de que a NGC 1316 já havia engolido outras galáxias, entre elas uma outra galáxia em espiral, há cerca de 3 bilhões de anos.
Também podem ser vistas longas e tênues 'caudas' partindo da NGC 1316, chamadas pelos pesquisadores de 'caudas de maré', formadas por estrelas arrancadas de suas posições originais e lançadas no espaço intergaláctico.
Estas 'caudas' são resultado de efeitos gravitacionais nas órbitas das estrelas quando uma outra galáxia se aproxima demais.
Todos estes sinais apontam para o passado 'violento' da NGC 1316, durante o qual ela anexou outras galáxias. Os sinais também sugerem que a NGC 1316 continua seguindo esse padrão.

Observatório chileno
A NGC 1316 está a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Fornax (Fornalha).
A imagem detalhada da NGC 1316 e da NGC 1317 foi capturada pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), em La Silla, no Chile.
A foto foi criada a partir da combinação de muitas imagens individuais nos arquivos do ESO - e abre uma janela para uma parte longínqua do Universo.
Os pontos mais tênues e difusos que aparecem na foto divulgada pelo ESO são galáxias ainda mais distantes do que a NGC 1316 e a NGC 1317.
Uma concentração destes pontos, particularmente densa, pode ser vista à esquerda da NGC 1316.

Nasa capta poderosa erupção no Sol

Radiação emitida por evento deve chegar à Terra nesta semana, mas não oferece riscos aos humanos.

Da BBC
Via Portal G1
Imagem da erupção divulgada pela Nasa (Foto: Nasa/BBC)

Uma poderosa erupção no Sol foi registrada no sábado e gerou uma série de ondas de radiação e vento solar que provavelmente chegarão à Terra, de acordo com o Observatório de Dinâmica Solar da Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.
Estas ondas são chamadas de ejeções de massa coronal (CME, na sigla em Inglês), que ocorrem na camada externa da estrela.
Esta erupção, disse a Nasa, foi classificada como do tipo X1, o que significa que ela está entre as maiores e mais poderosas.
saiba mais
De acordo com o site especializado spaceweather.com, a erupção, um flash de radiação ultravioleta, causou uma perturbação relativamente menor do campo magnético do planeta, conhecida como efeito de 'crochê magnético', que resultou em uma breve interferência nas transmissões de rádio terrestres.
No entanto, a Nasa disse que as erupções solares não podem passar através da atmosfera e afetar fisicamente os seres humanos. As ejeções CME possivelmente chegarão à Terra nesta quarta-feira, mas não terão qualquer impacto sobre o planeta, disseram fontes da Nasa.
De acordo com especialistas, há chances de que mais erupções ocorram nos próximos dias. Há vários tipos de erupções solares, mas as classes M e X são mais notórias porque podem causar tempestades geomagnéticas na Terra.
Os números que são adicionados às letras indicam a força do evento. Para se ter uma idéia, um das erupções mais poderosas do atual ciclo solar de 11 anos ocorreu em 25 de fevereiro e foi uma X4, de acordo com a Nasa.

Avião atingido por Raio


Imagem mostra avião no momento em que é atingido por raio

Aeronave da KLM se aproximava de Birmingham, no Reino Unido.
'Houve um grande estrondo', contou passageiro; ninguém se feriu.

Do Portal G1, em São Paulo

Tracey Meakin White, moradora da cidade de Kingstanding, no Reino Unido, fotografou o momento em que um avião da empresa KLM foi atingido por um raio quando chegava a Birmingham, oriundo de Amsterdã, na sexta-feira (28). Ninguém se feriu.

Tony Everitt, um dos passageiros a bordo, relatou o que sentiu ao jornal “Brimingham Mail”: “Foi incrível, houve um grande estrondo. Apenas momentos antes eu notei o céu escuro e disse a um passageiro perto de mim que estava surpreso de não haver raios e trovões. Após o estrondo, meu pensamento inicial foi que o motor tinha explodido. Surpreendentemente, não foi assustador, foi excitante. Você está esperando algo mais acontecer, então percebe que nada deu errado”.

Segundo Everitt, o capitão da aeronave só contou o que aconteceu depois que já estavam em solo. “Sei que eles [os pilotos] passam um monte de tempo no ar, mas estou surpreso como ele estava calmo. O piloto apenas disse 'senhoras e senhores, vocês devem ter notado que fomos atingidos por um raio", relatou.
Momento em que raio atinge avião da KLM no reino Unido (Foto: TRACEY WHITE/ CATERS NEWS)

Detalhe da imagem com contraste aumentado mostra o avião atingido por um raio (Foto: TRACEY WHITE/ CATERS NEWS)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

No tempo da Terra púrpura

Portal UOL
POR SALVADOR NOGUEIRA 02/04/14

Inspirado por uma fotografia tirada dos confins do Sistema Solar pela sonda Voyager-1, o saudoso astrônomo Carl Sagan apelidou nosso pequeno cantinho do Universo de “pálido ponto azul”. Mas se a foto tivesse sido tirada 3 bilhões de anos antes, provavelmente seria o “pálido ponto púrpura”. Ao menos segundo um grupo espanhol de cientistas.


Em seus primórdios, a Terra já teve muito mais área coberta por oceanos. E era púrpura!

Enric Pallé e seus colegas do Instituto de Astrofísica das Canárias apontam que, hoje, a maioria das bactérias e plantas que fazem fotossíntese usam a clorofila para realizar a façanha, e por isso são verdes, mas, no passado, a forma de vida predominante era a das bactérias púrpuras.

“Elas são microrganismos fotossintetizantes e podem habitar tanto ambientes aquáticos como terrestres”, destacam Pallé e seus colegas, em artigo aceito para publicação no “Astrophysical Journal”. Em vez de clorofila, elas usam uma substância chamada retinal para transformar luz em energia para seu metabolismo. Água também não faz parte do menu. Em vez disso, o processo exige ácido sulfídrico (H2S) e gera enxofre, em vez de oxigênio.

Com essa química diferentona, elas perdem o verde característico das plantinhas e ganham uma cor roxeada. Agora imagine essas bactérias disseminadas por todo o globo terrestre, inclusive os oceanos. O planeta inteiro deve ter ganho aí uns 50 tons de púrpura.

PASSADO E PRESENTE

Quanto disso seria perceptível numa análise da assinatura de luz proveniente do nosso planeta, coletada do espaço? Essa é a pergunta crucial do novo trabalho da equipe espanhola, que Pallé apresentou durante a conferência de astrobiologia promovida pelo Vaticano, em março. Os pesquisadores fizeram diversas simulações da ocupação das bactérias púrpuras no que seria uma versão da Terra durante o éon Arqueano, entre 3,85 bilhões e 2,5 bilhões de anos atrás.

Nessa época a vida dava seus primeiros passos em nosso planeta. Há 3 bilhões de anos, o Sol brilhava com 80% da intensidade atual, e a Terra tinha mais oceano e menos continente do que hoje. A fotossíntese por clorofila ainda não era uma coisa popular, praticamente não havia oxigênio na atmosfera, e o nosso mundo só abrigava criaturas unicelulares. Era então uma biosfera muito menos vibrante do que a de nossos tempos.

Ainda assim, nosso mundo já estava claramente “vivo”. Ele já era exatamente o tipo de coisa que agora estamos querendo encontrar ao redor de outras estrelas. Daí a preocupação de Pallé e cia. Será que poderíamos identificar um planeta similar à “Terra Púrpura” de 3 bilhões de anos atrás analisando a luz de astros que estão a vários anos-luz de distância?

A pesquisa espanhola indica que sim. Mesmo que o mundo a ser pesquisado não esteja completamente coberto por bactérias púrpuras, sinais de sua existência seriam captados em meio à luz sutil emanada de lá.

Claro, ainda não temos tecnologia para observar diretamente — e em detalhes — o espectro luminoso de planetas distantes similares ao nosso. Esse é um trabalho que será desenvolvido agressivamente nas próximas décadas, conforme passamos da fase da descoberta de planetas habitáveis para a de sua caracterização. Contudo, estudos como o de Pallé nos lembram que já temos diversas biosferas “alienígenas” para estudar — agora mesmo. Onde estão elas? Basta olhar para o passado da Terra.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Após dois dias em órbita, Soyuz se acopla à ISS com 3 tripulantes

Nave demorou mais do que o previsto por falha técnica, mas sem risco.
Durante espera, ela deu 34 voltas na Terra; conexão ocorreu sobre o Brasil.

Do G1, em São Paulo

Soyuz a poucos metros da ISS, nesta quinta-feira (Foto: Nasa)
saiba mais

A nave Soyuz chegou na noite desta quinta-feira (27) à Estação Espacial Internacional (ISS). O foguete havia decolado nesta terça (25) do Cosmódro de Baikonur, no Cazaquistão, com três tripulantes a bordo.

O acoplamento com a ISS aconteceu às 20h53 (horário de Brasília) desta quinta, quando o conjunto estava a 405 km acima do norte do Brasil, segundo informa a Nasa.

A Soyuz permaneceu em órbita por dois dias por causa de uma falha técnica, e deu 34 voltas na Terra durante esse período. O plano inicial era que ela chegasse à ISS seis horas após o lançamento.

O problema técnico que impediu a nave de chegar à ISS seis horas não colocou a tripulação em risco, segundo a Nasa. O que ocorreu foi que, algumas horas após o lançamento, a Soyuz não conseguiu fazer a propulsão necessária para corrigir sua órbita e chegar à ISS no tempo inicialmente previsto, que seria suficiente para fazer quatro órbitas. Com isso, os técnicos responsáveis pela viagem decidiram então fazer a aproximação em 34 órbitas, procedimento que já foi o padrão anteriormente.

A tripulação inclui dois cosmonautas russos - os engenheiros de voo Alexander Skvortsov e Oleg Artemyev - e um astronauta americano - Steve Swansone. Após passarem por todos os procedimentos de abertura da da Soyuz, eles serão recebidos pelos três astronautas que já estavam na ISS, e se familiarizarão com o ambiente da estação. Depois, nesta sexta feira, todos os seis tripulantes terão um dia livre para descansar.

No domingo, partirá do Cabo Canaveral, na Flórida, o foguete SpaceX Falcon levando a cápsula de carga Dragon.
Foto de longa exposição mostra nave Soyuz decolando no Cazaquistão (Foto: AP Photo/Dmitry Lovetsky)

A Soyuz levanta voo de Baikonur (Foto: Reprodução/Nasa)
Astronauta americano dentro da Soyuz instantes antes do lançamento (Foto: Reprodução/Nasa)
O engenheiro de voo Steve Swanson, da Nasa (esquerda), o comandante da Soyuz Alexander Skvortsov, da agência federal espacial russa (Roscosmos), e o engenheiro de voo Oleg Artemyev, também da Roscosmos, são fotografados nesta terça-feira (25) em Baikonur (Foto: NASA/Joel Kowsky)
Um padre ortodoxo faz uma bênção na plataforma de lançamento da nave Soyuz, no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão (Foto: NASA/Joel Kowsky)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Astrônomos brasileiros descobrem sistema de anéis em torno de asteroide

Do UOL, em São Paulo 26/03/2014

ESO/L. Calçada/M. Kornmesser/Nick Risinger (skysurvey.org)


Astrônomos brasileiros lideraram observações em todo o mundo que descobriram que o asteroide distante Chariklo está rodeado por dois anéis densos e estreitos. Este é o menor objeto já descoberto com anéis e o quinto astro no Sistema Solar - além dos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno - com esta caraterística.
A equipe descobriu que o sistema de anéis é composto por dois anéis bastante confinados, com apenas sete e três quilômetros de largura, respectivamente, separados entre si por um espaço vazio de nove quilômetros - e tudo isto em torno de um pequeno objeto com 250 quilômetros de diâmetro que orbita além da órbita de Saturno.
Uma colisão teria criado um disco de detritos que foram atraídos pelo corpo. Os resultados estão na revista Nature desta quarta-feira (26).
Além dos anéis de Saturno, que são um dos mais bonitos espetáculos no céu, outros anéis, menos proeminentes, também foram encontrados em torno dos outros planetas gigantes. Apesar de buscas cuidadosas, nunca se encontraram anéis em volta de outros objetos menores do Sistema Solar. Agora, observações do longínquo asteroide Chariklo, feitas quando este passava em frente a uma estrela, mostraram que ele também se encontra rodeado por dois anéis estreitos.
"Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhes que obtivemos do sistema - foi para nós uma grande surpresa", diz Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, que é o autor principal do artigo científico.
Chariklo é o maior membro de uma classe de objetos conhecidos por Centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Urano, no Sistema Solar externo. Previsões da sua órbita mostraram que passaria em frente da estrela UCAC4 248-108672 no dia 3 de junho de 2013, quando observado a partir da América do Sul.
Assim, com o auxílio de telescópios em sete lugares diferentes, incluindo o telescópio dinamarquês de 1,54 metros e o telescópio TRAPPIST, ambos situados no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, os astrônomos puderam observar a estrela desaparecer durante alguns segundos, momento em que a sua luz foi bloqueada pelo Chariklo - num fenômeno conhecido por ocultação.
Alguns segundos antes, e também alguns segundos depois, da ocultação principal ainda houveram duas quedas de luz, ligeiras e muito curtas, no brilho aparente da estrela. Algo em torno de Chariklo estava bloqueando a luz, foi a conclusão dos pesquisadores.
Ao comparar as observações feitas nos diversos locais, a equipe pôde reconstruir não apenas a forma e o tamanho do objeto propriamente dito, mas também a espessura, orientação, forma e outras propriedades dos anéis recém descobertos.
"Acho extraordinário pensar que fomos capazes de detectar, não apenas o sistema de anéis, mas também precisar que este sistema é constituído por dois anéis claramente distintos", acrescenta Uffe Gråe Jørgensen (Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga, Dinamarca), integrante da equipe.
"Tento imaginar como será estar sobre a superfície deste corpo gelado - tão pequeno que um carro esportivo veloz poderia atingir a velocidade de escape e lançar-se no espaço - e olhar para cima para um sistema de anéis com 20 quilômetros de largura e situado 1000 vezes mais próximo do que a Lua está da Terra".
Embora muitas questões permaneçam ainda sem resposta, os astrônomos pensam que este tipo de anel deve ter se formado a partir dos restos deixados depois de uma colisão. Os restos teriam ficado confinados como dois estreitos anéis devido à presença de pequenos satélites, que supostamente existirão.
"Por isso, além dos anéis, é provável que Chariklo tenha também, pelo menos, um pequeno satélite à espera de ser descoberto", acrescenta Felipe Braga Ribas.
Os anéis poderão mais tarde dar origem à formação de um pequeno satélite. Tal sequência de eventos, a uma escala muito maior, pode explicar a formação da nossa própria Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteroides.

Sonda Encontra água em Marte


Na 1ª amostra recolhida, sonda Curiosity acha água em Marte

Fonte: Portal Terra

Curiosity recolheu amostras do solo de Marte
Foto: Nasa / Divulgação

A primeira amostra de solo analisada pela sonda Curiosity em Marte encontrou uma quantidade significativa de água, anunciou nesta quinta-feira a Nasa - a agência espacial americana - em artigo na revista Science.

"Um dos mais emocionantes resultados da primeira amostra ingerida pela Curiosity é a alta porcentagem de água no solo", diz Laurie Leshin, do Instituto Rensselaer (EUA) e líder do estudo apresentado hoje. "Cerca de 2% do solo na superfície de Marte é feito de água, o que é um grande recurso, e cientificamente interessante", diz a cientista. A análise do laboratório ambulante identificou ainda dióxido de carbono, oxigênio e compostos sulfúricos, entre outros, quando aqueceu a terra coletada.

Um dos instrumentos do robô, chamado de SAM (sigla em inglês para "análise de amostra de Marte") inclui um cromatógrafo, um espectrômetro de massa e um espectrômetro a laser. Esses palavrões significam que a sonda tem a capacidade, ao contrário de suas antecessoras, de identificar diversos compostos químicos e determinar a proporção de isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem na quantidade de nêutrons) de elementos-chave nas amostras que recolhe.

"Esta é a primeira amostra que analisamos com os instrumentos da Curiosity. É a primeiríssima pá de algo que alimentou o equipamento analítico. Apesar de ser apenas o início da história, nós aprendemos algo substancial", diz Laurie.

A Curiosity usou sua pequena pá para recolher uma amostra de solo de uma região apelidada de "Rocknest" pelos cientistas. Os pesquisadores inseriram porções da amostra no instrumento SAM, que aqueceu a terra a 835°C. O equipamento reconheceu a presença de diversos componentes, inclusive compostos contendo cloro e oxigênio, como clorato ou perclorato, que já eram conhecidos em Marte - mas apenas em regiões mais próximas ao polo, e não na zona equatorial do planeta vermelho, onde está a sonda. A análise indica ainda a presença de carbonatos, que se formam na presença de água
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Foto: Reuters

"Marte tem um tipo de camada global, uma camada de solo da superfície que tem sido misturada e distribuída por frequentes tempestades de areia. Então, uma pá desse material é basicamente uma coleção microscópica de rochas marcianas", diz Laurie. "Se você misturar muitos grãos dele juntos, você provavelmente terá uma imagem precisa da crosta típica marciana. Ao aprender sobre isso em um lugar, você estará entendendo sobre o planeta inteiro."

Segundo o cientista, os resultados implicarão em futuras missões ao planeta vermelho - inclusive tripuladas. "Nós agora sabemos que deve haver água abundante e de fácil acesso em Marte", diz Laurie. "Quando mandarmos gente, eles podem retirar um pouco do solo em qualquer lugar da superfície, aquecê-lo um pouco e obter água."

terça-feira, 25 de março de 2014

Nasa revela imagem de raio a partir do espaço


A imagem mostra uma área coberta de nuvens densas, onde se situa a Península Arábica 
Foto: NASA

A Nasa divulgou nesta terça-feira a imagem de um raio visto do espaço. A foto foi tirada em dezembro de 2013 por um astronauta que estava a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), como parte do lançamento da Firestation, um novo instrumento na estação dedicado ao rastreamento de raios.

A imagem mostra uma área coberta de nuvens densas, onde se situa a Península Arábica com uma luz roxa indicando onde o raio caiu abaixo das nuvens. A massa alaranjada fica próxima à cidade de Kuwait, enquanto o menor conjunto de luzes estaria acima da cidade de Al Batin Hafar, na Arábia Saudita.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Terra foi atingida por impacto duplo de asteroides

Terra foi atingida por impacto duplo de asteroides, diz pesquisa

Uol Ciências 19/03/2014
ESO via BBC

Cerca de 15% dos asteroides próximos a Terra são binários
Nós todos já vimos filmes em que asteróides se movem rapidamente em direção à Terra, ameaçando sua civilização.
Mas o que é menos conhecido é que às vezes essas rochas espaciais ameaçadoras se movimentam em pares.
Pesquisadores delinearam algumas das melhores evidências até hoje de um impacto duplo, em que um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um atrás do outro.
Usando minúsculos fósseis de plâncton, eles estabeleceram que crateras vizinhas na Suécia são da mesma idade - 458 milhões de anos de idade.
No entanto, outros cientistas alertaram que crateras aparentemente contemporâneas poderiam ter sido formada com semanas, meses ou mesmo anos de intervalo.
Detalhes do trabalho foram apresentados na 45ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Woodlands, no Texas, e os resultados devem ser divulgados na publicação científica Meteoritics and Planetary Science Journal.
Lockne e Malingen
Segundo Jens Ormo, pesquisador do Centro de Astrobiologia de Madri, na Espanha, um punhado de possíveis impactos duplos na Terra já são conhecidos, mas há divergências sobre a precisão das datas atribuídas a estas crateras.
"Crateras de impacto duplo devem ser da mesma idade, caso contrário, poderiam ser apenas duas crateras localizadas uma ao lado da outra",
Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que se encontram cerca de 16 quilômetros de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de largura, Lockne é a maior das duas estruturas. Malingen, localizada mais ao sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.
Acredita-se que os asteroides binários são formados quando um asteroide formado por um grande grupo de rochas começa a girar tão rápido sob a influência da luz solar que uma pedra solta é jogada para fora do seu eixo e forma uma pequena lua.
Observações feitas com telescópio sugerem que cerca de 15% dos asteroides próximos da Terra são binários, mas é provável que a porcentagem de crateras formadas por impacto na Terra seja menor.
Apenas uma fração dos binários que atingem a Terra terá a separação necessária entre o asteroide e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos a suas luas formarão estruturas sobrepostas).
Os cálculos sugerem que cerca de 3% de crateras formadas por impacto na Terra devem ser duplas - um número que está de acordo com o número já identificado pelos pesquisadores.
As características geológicas pouco comuns tanto de Lockne como de Malingen são conhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas foi apenas nos anos 1990 que Lockne foi reconhecida como uma cratera formada por um impacto.
Nos últimos anos, Ormo perfurou cerca de 145 metros na cratera Malingen, passando pelo sedimento que a preenche, por pedra britada, conhecida como brechas, e atingindo a pedra intacta no fundo.
Análises das brechas revelaram a presença de uma forma do mineral quartzo, que é criado sob pressões intensas e está associado com o impacto de asteróides.
Esta área era coberta por um mar raso no momento do impacto que formou Lockne, então sedimentos marinhos teriam preenchido imediatamente qualquer cratera formada por impacto no local.
A equipe de Ormo estabelecida para datar a estrutura Malingen usou minúsculos animais marinhos fossilizados chamados chitinozoas, que são encontrados em rochas sedimentares no local.
Eles usaram um método conhecido como biostratigrafia, que permite que geólogos atribuam idades relativas a rochas com base nos tipos de criaturas fósseis encontradas dentro delas.
Os resultados revelaram que a estrutura Malingen era da mesma idade que Lockne - cerca de 458 milhões anos de idade. Isto parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o período Ordoviciano, da era Paleozoica.

Nasa
As crateras Clearwater no Canadá também devem ter sido formadas por um impacto duplo

Evidências convincentes
Gareth Collins, que estuda crateras formadas por impacto no Imperial College de Londres, e não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC: "Com falta de testemunha dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente."
"Mas a evidência neste caso é muito convincente. Sua proximidade no espaço e estimativas consistentes de idade tornam bastante provável um impacto binário."
As simulações sugerem que o asteróide que criou a cratera de Lockne tinha cerca de 600 m de diâmetro, enquanto o que esculpiu Malingen tinha cerca de 250m. Estas medições são um pouco maiores do que pode ser sugerido pelas suas crateras por causa dos mecanismos de impactos em ambientes marinhos.
Ormo acrescentou que a distância entre Malingen e Lockne está de acordo com a teoria de que elas teriam sido criadas por um binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, suas crateras se sobrepõem. Mas para se qualificar como uma dupla, as crateras não podem estar muito longe, porque elas vão exceder a distância máxima em que um asteróide e sua lua podem ficar vinculados por forças gravitacionais.
"O asteroide formador de Lockne era grande o suficiente para gerar uma abertura na atmosfera acima do local de impacto", disse Ormo.
Isso pode fazer com que o material do asteroide se espalhe ao redor do globo, como aconteceu durante o enorme impacto que formou a cratera de Chicxulub, que muitos acreditam ter matado os dinossauros, há 66 milhões de anos.
O evento ordoviciano não foi potente o suficiente para que o material fosse espalhado, já que teria sido muito diluído na atmosfera. Mas o impacto pode ter tido efeitos locais, como por exemplo, ter vaporizado instantaneamente qualquer criatura do mar que estivesse nadando nas proximidades.
Outros crateras que podem ter sido formadas por um impacto duplo incluem Clearwater Ocidental e Oriental em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev no sul da Rússia, e Ries e Stenheim no sul da Alemanha.