quinta-feira, 7 de março de 2013

Erupção solar lança radiação rumo a Marte e Nasa vai 'desligar' Curiosity



Desativação é temporária e visa preservar robô, diz agência.
Nuvem de gás superaquecido segue rumo a Marte a 3,2 milhões de km/h.

Do G1, em São Paulo*

Uma grande erupção solar detectada nesta semana pela agência espacial americana Nasa lançou um fluxo de radiação em direção a Marte, informaram nesta quinta-feira (7) agências de notícias internacionais.

O jato solar também lançou uma nuvem de gás superaquecido que está se movendo em direção ao planeta vermelho a uma velocidade de 3,2 milhões de km/h, diz a Nasa. Para evitar danos ao robô Curiosity, a agência vai desativá-lo temporariamente, desligando suas atividades principais, diz a Associated Press.

Concepção artística divulgada pela Nasa nesta quinta-feira (7) mostra erupção solar de agosto de 2012 semelhante à ocorrida nesta semana (Foto: Nasa/AP)

"Nós estamos sendo cuidadosos", disse o coordenador do Laboratório de Propulsão à Jato da Nasa, Richard Cook. Apesar de o robô estar no planeta vermelho desde 2012 e ser projetado para resistir a efeitos atmosféricos de Marte, os cientistas optaram pela cautela.

Três outros equipamentos da Nasa - o robô Opportunity, que está em solo marciano, e duas sondas espaciais - continuarão com suas atividades normais, segundo a agência.


Erupções solares podem prejudicar o funcionamento de equipamentos em Marte, ponderam os cientistas. Em 2003, uma tempestade solar desativou o detector de radiação da sonda Odyssey. A agência, no entanto, não espera que o mesmo ocorra com o robô Curiosity.Sem efeitos sobre a Terra
Os pesquisadores não esperam que a radiação tenha efeitos sobre Terra. No passado, erupções como esta causaram "tempestades solares" que afetaram o funcionamento de aviões, satélites e serviços de GPS, diz a Nasa.

Os cientistas estavam tentando solucionar um defeito ocorrido recentemente no Curiosity quando a tempestade solar foi detectada. Um dos computadores de bordo do robô havia apresentado problemas por um erro na memória. Com a chegada da radiação, a Nasa decidiu esperar a radiação passar para resolver o problema.

*Com informações da Associated Press

terça-feira, 5 de março de 2013

Cientistas dizem ter identificado 'nascimento' de planeta gigante


Corpo celeste 'candidato' a planeta estaria envolto em disco de poeira.
Estrela próxima a protoplaneta está a 335 anos-luz da Terra.

Do G1, em São Paulo


Pesquisadores utilizaram um telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) para fazer o que pode ser a primeira observação direta do "nascimento" de um planeta. Segundo os cientistas, um disco de gás e poeira próximo a uma estrela jovem, chamada HD100546, pode estar envolvendo o planeta gigante que está em formação.

Se confirmada, a descoberta vai ajudar a entender melhor a formação de planetas, dizem os pesquisadores. A estrela HD100546 está a 335 anos-luz de distância da Terra, e o planeta em formação possivelmente é um gigante gasoso similar à Júpiter, segundo dados do ESO.

Concepção artística mostra planeta em formação envolto por disco de poeira e gás (Foto: Divulgação/L. Calçada/ESO)

"Até agora, a formação de planetas tem sido um tópico desenvolvido essencialmente por simulações de computador", disse o pesquisador Sascha Quanz, líder do estudo que descobriu o "protoplaneta", ao site do Observatório Europeu do Sul.
"Se a nossa descoberta for confirmada como realmente um planeta em formação, então pela primeira vez os cientistas poderão estudar de forma empírica o processo de formação planetária e a interação entre um planeta em formação e o seu meio circundante, desde a fase primordial", afirmou Quanz.


Imagem do telescópio Hubble mostra a nuvem de

poeira ao redor da estrela HD100546. O ponto
laranja identifica planeta em formação (Foto:
Divulgação/Ardila/ESO/Nasa/ESA)


O "candidato" a planeta foi identificado como uma tênue mancha no disco de gás e poeira, através de imagens feitas pelo Telescópio Muito Grande (Very Large Telescope ou VLT, em inglês), do ESO, e pelo telescópio Hubble, da agência espacial americana (Nasa).
Várias características do disco situado em torno da estrela respaldam a hipótese de haver ali um planeta em formação. Estruturas no disco de poeira que devem ter sido causadas pela interação com o corpo celeste em formação foram detectadas.
Além disso, há regiões em volta do "protoplaneta" que estão sendo aquecidas, provavelmente pelo processo de formação planetária, segundo os cientistas.
Os pesquisadores apontam cautela, no entanto, e ressaltam que para afirmar com que o planeta está realmente em formação é necessário realizar mais observações.