quinta-feira, 28 de junho de 2012

Hubble capta evaporação da atmosfera de um planeta distante


Cientistas calculam que para a evaporação ter ocorrido, exoplaneta recebeu radiação três milhões de vezes superior a que a Terra recebe do Sol


EFE | 28/06/2012 15:22:21 - via portal IG

Nasa
Ilustração mostra a evaporação da atmosfera do planeta HD 189733b (a esquerda) em consequência da erupção de uma estrela



O telescópio espacial Hubble captou a evaporação da atmosfera de um planeta distante, segundo informou nesta quinta-feira a Agência Espacial Europeia (ESA).

O planeta, situado a cerca de 60 anos luz de distância da Terra, recebeu um brilho tão intenso de sua estrela que perdeu pelo menos mil toneladas de gás por segundo.

Os cientistas, liderados por Alain Lecavelier des Etangs, do Instituto de Astrofísica de Paris, observaram a atmosfera do planeta HD 189733b, similar a Júpiter, que orbita ao redor da estrela HD 189733A, em dois momentos diferentes, no início de 2010 e no final de 2011.


Cerca de cinco milhões de quilômetros, uma distância 30 vezes menor do que da Terra ao Sol, separam o planeta de sua estrela.

É por isso que o exoplaneta (cuja estrela não é o sol) se aquece até superar os mil graus, embora esse calor não chegue a ser suficiente para provocar a evaporação de sua atmosfera.

"A primeira série de observações foi realmente decepcionante, pois não mostravam rastro algum da atmosfera do planeta. Só nos demos conta que tínhamos casualmente captado algo mais interessante durante a segunda sessão de observações", explicou Lecavelier.

Neste momento, a estrela do distante planeta apresentava uma radiação de raios X que quadruplicava sua luminosidade.

"Não só confirmamos que algumas atmosferas de planetas se evaporam, mas observamos como variaram as condições físicas da evaporação com a passagem do tempo. Ninguém tinha conseguido isso até então", ressaltou.

Os cientistas calculam que o exoplaneta recebeu uma radiação de raios X três milhões de vezes superior a que a Terra recebe do Sol.

"Foi o brilho de raios X da HD 189733A mais brilhante já observado até agora e parece muito possível que o impacto do calor sobre o planeta possa ter provocado a evaporação observada horas mais tarde através do Hubble", explicou Peter Wheatley, da Universidade britânica de Warwick.

Este estudo, cujas conclusões serão publicadas no próximo número da revista "Astronomy & Astrophysics", tem importância não só para a análise dos planetas similares a Júpiter. Os cientistas pensam que as "super-Terras" rochosas descobertas recentemente poderiam ser restos de planetas como HD 189733b depois da evaporação total de suas atmosferas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nasa vai lançar telescópio de raios-X para estudar universo a fundo


NuSTAR é capaz de gerar imagens com resolução dez vezes maior do que a obtida com telescópios atuais


AFP | 31/05/2012 11:15:34 - Atualizada às 31/05/2012 11:21:34 - Via Portal IG Ciência
Foto: DivulgaçãoNa ilustração, o telescópio NuSTAR que vai possibilitar a observação de objetos celestes maiores, mais densos e mais carregados de energia

A Nasa anunciou nesta quarta-feira (30) que está pronta para lançar, em 13 de junho, o telescópio NuSTAR de raios-X, capaz de examinar o universo e os buracos negros com uma resolução nunca antes vista, o que permitirá conhecer melhor a evolução do cosmo.

"O NuSTAR (Nuclear Spectorscopic Telescope Array - ou Matriz de Telescópios Eletroscópicos Nucleares) nos ajudará a compreender como o nosso universo evoluiu do estado simples do Big Bang até se transformar em algo tão complexo atualmente", afirmou, em entrevista coletiva, Paul Hertz, diretor da divisão de astrofísica da Nasa, na sede da organização em Washington.

"Veremos os objetos celestes maiores, mais densos e mais carregados de energia de forma fundamentalmente nova", explicou Fiona Harrison, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e principal encarregada científico do NuSTAR
.O NuSTAR será o primeiro telescópio espacial capaz de criar imagens cósmicas a partir de raios-X de alta energia, do mesmo tipo que os utilizados para gerar imagens do esqueleto humano ou para escanear bagagens nos aeroportos, afirmaram os astrofísicos.

O telescópio vai gerar imagens com uma resolução dez vezes maior do que a obtida com os telescópios atuais e será mais de cem vezes mais sensível do que seus antecessores que funcionam na mesma parte do espectro eletromagnético.

O NuSTAR poderá, assim, captar a alta energia dos raios-X atavés da poeira e do gás que obstroem a observação das galáxias, os buracos negros e as estrelas de nêutrons situadas no coração da Via Láctea.

O novo telescópio será colocado em órbita por um foguete Pegasus, lançado em pleno voo por um avião Lockeed L-1011, uma grande aeronave com três turbinas batizado de Stargazer, da Base de Testes Reagan, no atol Kwajalein, nas Ilhas Marshall, Pacífico.

Depois do lançamento em 13 de junho, o Stargazer lançará o foguete às 15H30 GMT (12h30 de Brasília). O Pegasus levará o NuStar à órbita terrestre baixa, informou a Nasa.

O objetivo da missão é trabalhar em concordância com outros telescópios no espaço, como o observatório de raios-X da Nasa Chandra, que estuda os raios-X de baixa energia, ou o XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia, informou a Nasa.

Em sua primeira fase de dois anos, a missão NuSTAR mapeará certas regiões do céu para recensear as estrelas mais profundas e distantes, bem como buracos negros de diferentes tamanhos. Para isso, examinará as regiões que rodeiam o centro da Via Láctea.

O novo telescópio também fará observações do universo profundo, além da Via Láctea, permitindo compreender melhor as emissões de partículas das galáxias mais extremas, como a Centaurus A, onde ficam os buracos negros supermaciços.