quinta-feira, 26 de maio de 2011

Magma da Lua contém tanta água quanto o terrestre

Análise de amostra do magma da Lua mostrou mesmo teor de substâncias que a Terra e água suficiente para encher o mar do Caribe

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo | 26/05/2011 15:00

manto da Terra. São 3,5 bilhões de bilhões de litros, água suficiente para encher o mar do Caribe, uma quantidade 100 vezes maior que o imaginado, de acordo com estudo que analisou amostras de magma contido dentro de pequenos cristais, trazidos da missão Apollo 17, há quase 40 anos.

A descoberta põe em questão a teoria mais aceita para a formação da Lua. Nela, um impacto gigante de um corpo celeste do tamanho de Marte teria colidido com a Terra e os detritos fundidos deste impacto formaram a Lua. No entanto, o grande impacto teria que ter gerado altas temperaturas, o que conflita com a nova descoberta de água no interior lunar. 

“Nossos dados não excluem completamente a teoria do impacto. Só que ele não permite o alto teor de água lunar que descobrimos, já que a Lua seria o resultado da fusão quase total do material que entrou em órbita após o impacto. Porém, no vácuo do espaço, este material ficaria completamente desidratado”, explicou ao iG Erick Hauri, geoquímico do Carnegie Instituto e um dos autores do estudo publicado hoje (26) no periódico científico Science.

O mais surpreendente do estudo é que há mais semelhança entre a Lua e a Terra do que o esperado. Os resultados da análise mostram que a Lua é o único objeto em nosso Sistema Solar com teor de substâncias voláteis em seu interior tão semelhante ao manto superior da Terra. 
Foto: Thomas Weinreinch/ Brown UniversityAmpliar
Fotografia optica da amostra do magma contido em pequenos cristais
As pequenas amostras – a maior amostra de magma lunar mede 30 micrometros, menos que o diâmetro de um fio de cabelo - vieram de uma área da Lua, que tinha composição similar ao manto superior da Terra. Isto quer dizer que o nível da água no magma da Lua é semelhante ao encontrado no magma da Terra, mais especificamente nos vulcões das grandes cadeias de montanhas submersas no oceano, que se originam do afastamento das placas tectônicas - os vulcões mais produtivos da Terra.

“A água desempenha um papel importante no comportamento tectônico de superfícies planetárias, o ponto de fusão de interiores planetários, bem como a localização e estilo de erupção de vulcões do planeta”, disse Hauri.
Pólo sul lunar
O novo estudo dá ainda uma nova guinada sobre a origem do gelo detectado em crateras nos pólos lunares. No ano passado, a missão LCROSS encontrou gelo em crateras no pólo sul lunar. O estudo afirmava que a água teria vindo de fora da Lua, a partir de um cometa. No entanto, com a descoberta de que há muita água no interior da Lua, o gelo poderia vir do magma. 

“Durante os eventos vulcânicos, há uma quantidade significativa de gás removido, por exemplo, a nova erupção na Islândia, a nuvem de gás veio de remoção de gás do interior da Terra. Portanto, ocorre transferência significativa do interior para a superfície, e o gás é condensado devido à baixa temperatura na superfície, se transformando em gelo”, disse ao iG Alberto Saal do departamento de Ciências Geológicas da Universidade de Brown e que também participou do estudo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Climatologistas consideram exoplaneta potencialmente habitável

  • Simulação mostra o planeta 581d em órbita ao redor da estrela anã e um mapa de calor onde o vermelho seriam áreas quentes e o azul áreas mais frias
    Simulação mostra o planeta 581d em órbita ao redor da estrela anã e um mapa de calor onde o vermelho seriam áreas quentes e o azul áreas mais frias
PARIS, 16 maio 2011 (AFP) - Um dos planetas que gira ao redor da estrela-anã Gliese 581 poderia ser "habitável", com clima propício para a existência de água em estado líquido e vida, segundo um estudo que uma equipe de climatologistas acaba de publicar.
Os astrônomos querem determinar se alguns dos 500 exoplanetas descobertos são aptos para abrigar a vida.
Sete vezes mais maciço que a Terra e aparentemente rochoso, o Gliese 581d "poderia ser o primeiro planeta potencialmente habitável" descoberto até hoje, anunciou esta segunda-feira o francês Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) em um comunicado.
Detectado em 2007 a 20 anos-luz (1 ano-luz = 9,5 trilhões de quilômetros) do Sistema Solar, o Gliese 581d foi considerado na ocasião frio demais para ser "habitável", ou seja, não teria temperaturas compatíveis com a presença de água em estado líquido em sua superfície.
Este exoplaneta, que orbita ao redor de uma estrela pouco quente, uma anã-vermelha, recebe três vezes menos energia em comparação com a que a Terra recebe do Sol. Também é possível que tenha sempre a mesma face voltada para a sua estrela, enquanto a outra permanece em eterna escuridão.
Apesar das desvantagens, o Gliese 581d poderia se beneficiar de um efeito estufa, que lhe dá um clima "quente a ponto de permitir a formação de oceanos, nuvens e chuva", segundo uma modelização que ilustra "a grande variedade de climas possíveis para os planetas da galáxia", acrescentou o CNRS.
Nesta simulação, a equipe de Robin Wordworth e François Forget, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica (LMD) do Instituto Pierre Simon Laplace de Paris, se inspirou nos modelos usados para o estudo do clima terrestre, ampliando a gama de condições possíveis.
Se tiver uma atmosfera densa em dióxido de carbono (CO2), o que é considerado muito provável pelos cientistas, o exoplaneta pode evitar a condensação de sua atmosfera na face noturna e inclusive ter um clima quente.
Após um fenômeno denominado "difusão Rayleigh", que dá a tonalidade azul ao nosso céu, a atmosfera terrestre reflete para o espaço uma fração importante do resplendor azul, limitando o aquecimento do nosso planeta. Um efeito que é pouco sensível com o vermelho, segundo os cientistas, cujos trabalhos foram publicados na revista científica "The Astrophysical Journal Letters".
O Gliese 581d, terceiro planeta que orbita ao redor da anã-vermelha, poderia estar em uma penumbra avermelhada, com uma atmosfera densa e uma espessa camada nebulosa.

Uol Ciência

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Vulcões: origens e segredos

Saiba mais sobre aquilo que Kepler chamou de “lágrimas da Terra”

 Foto: Oliver Spalt
Monte Rinjani, na Indonésia.
Vulcões estão entre as mais temidas catástrofes da natureza. O nome deriva de Vulcano, deus Greco-romano (chama-se Hefesto na Grécia) do fogo. Era o ferreiro responsável por forjar os relâmpagos de Júpiter.

Vulcano era feio e coxo, mas conseguiu de Júpiter a mão de Vênus, deusa da beleza, em casamento. Os mitos contam que Vênus era muito infiel ao marido. Sempre que este descobria sobre algum adultério da esposa, batia no ferro com o martelo com tal força que soltava fumaça e faíscas – a explosão vulcânica.

Mas os vulcões soltam muito mais do que “faíscas”. São rupturas na crosta terrestre que permitem a passagem de magma, cinza e gás – vapor de água principalmente, mas também dióxidos de carbono e dióxido de enxofre. Eles aparecem no encontro de duas placas tectônicas, sejam convergentes ou divergentes.

Há atividade vulcânica comprovada em outros dois planetas do sistema solar – Marte e Vênus – além de duas luas: a nossa e uma das de Júpiter, Io. Marte é lar do maior vulcão conhecido, o Monte Olimpo, com 25 km (três vezes o Everest).

Mas a Terra ainda é o único lugar que conhecemos que possui vulcões submarinos – na verdade, 75% da produção anual de magma é submarina. As fontes hidrotermais, fonte de energia para seres abissais, são vulcões. Mas os que geram mais consequências para a vida humana são, com certeza, os terrestres.

Foto: P. Rona
Fonte hidrotermal no oceano Atlântico

Dependendo da intensidade da erupção, os danos podem ser críticos. A famosa explosão do Vesúvio, em 79 d.C., por exemplo, destruiu por completo a cidade de Pompéia, e mais de 30 mil pessoas morreram. Já a explosão do vulcão no lago Toba, na Indonésia, há mais de 70 mil anos, gerou um inverno vulcânico e reduziu a população humana da época a algo entre mil e dez mil indivíduos

As cinzas levantadas, em geral, são um problema maior do que a lava. A lava só escorre por alguns quilômetros, enquanto as cinzas percorrem distâncias gigantescas. Podem atrapalhar o tráfego aéreo e destruir rebanhos. O vulcão islandês Eyjafjallajökul, que entrou em erupção no ano passado, causou prejuízo de bilhões para empresas de linhas aéreas, além de matar 79% dos carneiros da Islândia.

Foto: Henrik Thorburn
A fumaça levantada pelo Eyjafjallajökul em 17 de abril de 2010

Mas vulcões não trazem só desvantagens. A terra em torno do vulcão, geralmente, é muito fértil e excelente para plantio. A terra roxa – um tipo de solo extremamente fértil presente do sul da América Latina, inclusive Brasil – é derivada da decomposição de pedra basáltica, um tipo de pedra vulcânica que vem da solidificação do magma.

A terra roxa tem grande importância histórica para o Brasil. Foi nela que prosperaram as grandes lavouras de café, gerando o desenvolvimento do sul e sudeste.

Potal IG

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cientistas americanos estudam técnica para apagar memórias traumáticas


Proteína desativada consegue enfraquecer lembranças
Do R7

Getty ImagesGetty Images
A Aplysia é um tipo de lesma do mar; o animal foi escolhido por ter um sistema nervoso simples

Os cientistas foram capazes de eliminar, ou “enfraquecer” consideravelmente, memórias de longo prazo em um caracol marinho chamado de Aplysia. Eles também conseguiram eliminar neurônios cultivados em laboratório.Um veterano de guerra, uma vítima de estupro ou o sobrevivente de um desastre natural. Imagine se essas pessoas conseguissem superar seus traumas e apagar todas as memórias ruins. Cientistas americanos estão estudando o assunto e acabam de descobrir uma proteína que, ao ser desativada, tem a capacidade de enfraquecer memórias. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (27) na revista científica Journal of Neuroscience. Os cientistas foram capazes de eliminar, ou “enfraquecer” consideravelmente, memórias de longo prazo em um caracol marinho chamado de Aplysia. Eles também conseguiram eliminar neurônios cultivados em laboratório.
Para “suavizar” as memórias, os cientistas inibiram a atividade de uma proteína chamada quinase. Essa substância está associada à memória. Eles fizeram isso após avaliar uma forma simples da memória do caracol chamada de sensibilização: se o molusco é atacado por um predador, o ataque aumenta sua percepção sobre o ambiente, explica o principal autor do estudo, David Glanzman, professor de Fisiologia e Biologia Integrativa e de Neurobiologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA).
- Esse é um aprendizado fundamental para a sobrevivência.
Para verificar a função da proteína, o molusco recebeu choques elétricos na cauda. No primeiro teste, a resposta do caracol veio após 50 segundos. Na segunda experiência, uma semana depois, a reação veio após 30 segundos. Essa é a memória de sensibilização de longo-prazo.
Os cientistas então removeram os neurônios-chave do sistema nervoso do caracol e, em laboratório, recriaram dois neurônios: um sensorial e um motor, que produz o reflexo.
Quando os moluscos receberam o inibidor da proteína e, em seguida, foram estimulados pelo choque, eles se comportaram como se nunca tivessem recebido o estímulo.
- Ao inibir a proteína, nós conseguimos apagar a memória de sensibilização de longo-prazo do caracol.
Para Glanzman, esse é um grande avanço na área da biologia celular das memórias.
- Eu acho que um dia seremos capazes de alterar memórias e reduzir traumas em nosso cérebro.
Os pesquisadores acreditam que, se um dia for possível manipular as memórias de humanos, esse método será útil no tratamento de pessoas que sofrem de mal de Alzheimer e transtorno de estresse pós-traumático. Viciados em drogas também poderão se beneficiar, segundo Glanzman, porque a memória tem um papel importante no vício.
- Quase todos os processos envolvidos na memória do caracol também são demonstrados no cérebro dos mamíferos.
O cientista acrescentou ainda que o cérebro dos humanos é muito complicado para ser estudado diretamente.