segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cientistas americanos estudam técnica para apagar memórias traumáticas


Proteína desativada consegue enfraquecer lembranças
Do R7

Getty ImagesGetty Images
A Aplysia é um tipo de lesma do mar; o animal foi escolhido por ter um sistema nervoso simples

Os cientistas foram capazes de eliminar, ou “enfraquecer” consideravelmente, memórias de longo prazo em um caracol marinho chamado de Aplysia. Eles também conseguiram eliminar neurônios cultivados em laboratório.Um veterano de guerra, uma vítima de estupro ou o sobrevivente de um desastre natural. Imagine se essas pessoas conseguissem superar seus traumas e apagar todas as memórias ruins. Cientistas americanos estão estudando o assunto e acabam de descobrir uma proteína que, ao ser desativada, tem a capacidade de enfraquecer memórias. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (27) na revista científica Journal of Neuroscience. Os cientistas foram capazes de eliminar, ou “enfraquecer” consideravelmente, memórias de longo prazo em um caracol marinho chamado de Aplysia. Eles também conseguiram eliminar neurônios cultivados em laboratório.
Para “suavizar” as memórias, os cientistas inibiram a atividade de uma proteína chamada quinase. Essa substância está associada à memória. Eles fizeram isso após avaliar uma forma simples da memória do caracol chamada de sensibilização: se o molusco é atacado por um predador, o ataque aumenta sua percepção sobre o ambiente, explica o principal autor do estudo, David Glanzman, professor de Fisiologia e Biologia Integrativa e de Neurobiologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA).
- Esse é um aprendizado fundamental para a sobrevivência.
Para verificar a função da proteína, o molusco recebeu choques elétricos na cauda. No primeiro teste, a resposta do caracol veio após 50 segundos. Na segunda experiência, uma semana depois, a reação veio após 30 segundos. Essa é a memória de sensibilização de longo-prazo.
Os cientistas então removeram os neurônios-chave do sistema nervoso do caracol e, em laboratório, recriaram dois neurônios: um sensorial e um motor, que produz o reflexo.
Quando os moluscos receberam o inibidor da proteína e, em seguida, foram estimulados pelo choque, eles se comportaram como se nunca tivessem recebido o estímulo.
- Ao inibir a proteína, nós conseguimos apagar a memória de sensibilização de longo-prazo do caracol.
Para Glanzman, esse é um grande avanço na área da biologia celular das memórias.
- Eu acho que um dia seremos capazes de alterar memórias e reduzir traumas em nosso cérebro.
Os pesquisadores acreditam que, se um dia for possível manipular as memórias de humanos, esse método será útil no tratamento de pessoas que sofrem de mal de Alzheimer e transtorno de estresse pós-traumático. Viciados em drogas também poderão se beneficiar, segundo Glanzman, porque a memória tem um papel importante no vício.
- Quase todos os processos envolvidos na memória do caracol também são demonstrados no cérebro dos mamíferos.
O cientista acrescentou ainda que o cérebro dos humanos é muito complicado para ser estudado diretamente.

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