segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Núcleo da Terra gira mais devagar do que se pensava

Estudo serve para analisar melhor o campo magnético da Terra

NasaNasa

Um grupo de geofísicos descobriu que o núcleo da Terra gira mais devagar do que acreditava-se previamente, afetando o campo magnético, indica um artigo publicado neste domingo (20) na revista científica Nature Geoscience.

O estudo desenvolvido pelo Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge detalha que o núcleo do planeta se move mais lentamente do que o grau anual do que se pensava. A velocidade de rotação é inferior a um grau a cada 1 milhão de anos.

O núcleo interno da Terra cresce mais devagar na medida em que o fluído externo vai se solidificando sobre a superfície do núcleo externo, afirma a pesquisa de Lauren Waszek, e a diferença na velocidade hemisférica leste-oeste desse processo fica congelada na estrutura do núcleo interno.

- Descobrimos que a velocidade de rotação provém da evolução da estrutura hemisférica, e assim demonstramos que os hemisférios e a rotação são compatíveis.

Waszek diz que, até agora, esse era um importante problema para a geofísica, "porque as rápidas velocidades de rotação eram incompatíveis com os hemisférios observados no núcleo interno, não permitindo tempo suficiente para que as diferenças congelassem a estrutura".

Para chegar aos resultados da pesquisa, os cientistas utilizaram ondas sísmicas que cruzaram o núcleo interno, 5.200 km abaixo da superfície da Terra, e as compararam com o tempo de viagem das ondas refletidas na superfície do núcleo. Depois, observaram as diferenças na rotação dos hemisférios leste e oeste e comprovaram que giram de maneira consistente em direção a leste e para dentro. Por isso que a estrutura mais profunda é a mais velha.

A descoberta é importante porque o calor produzido durante a solidificação e o crescimento do núcleo interno dirige a convecção do fluído nas camadas externas do núcleo. Convecção é a transferência de calor através de um fluido que ocorre devido ao movimento do próprio fluido.

Os fluxos de calor são os que encontram os campos magnéticos, que protegem a superfície terrestre da radiação solar, e sem os quais não haveria vida na Terra.

Waszek disse que os resultados "apresentam uma perspectiva adicional para compreender a evolução do nosso campo magnético".