quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sol em Alta Definição



A Nasa acaba de divulgar as primeiras imagens do Sol feitas pelo satélite SDO (Solar Dynamics Observatory), com uma resolução dez vezes maior do que a das melhores TVs de alta definição disponíveis no mercado. O SDO, lançado em 11 de fevereiro, é o instrumento mais moderno já desenvolvido para o estudo da nossa estrela mãe, o Sol.
Digo “estrela mãe” porque, sem ela, a gente realmente não existiria … não no sentido astrológico da coisa, mas no sentido físico-químico-biológico mesmo. Sem a energia do Sol para fazer fotossíntese, não haveria plantas. Sem as plantas, não haveria animais herbívoros. Sem os herbívoros, não haveria carnívoros. Nem onívoros. Consequentemente, não haveria seres humanos. Na melhor das hipóteses, a vida na Terra estaria confinada às profundezas do oceano, onde a luz não chega nunca e os micróbios se alimentam diretamente de compostos químicos que “vazam” por fendas e chaminés do interior do planeta. Aí tem os crustáceos e vermes que se alimentam desses micróbios, e os peixes e polvos que se alimentam desses crustáceos e vermes, e assim por diante … lá no fundo ninguém precisa de luz.

Mas nós, aqui em cima, precisamos sim, e MUITO! Então, quanto mais pudermos aprender sobre o Sol, melhor — apesar de não termos absolutamente nenhuma influência sobre o funcionamento dele.

Vale sempre lembrar que o Sol é uma gigantesca bola de gás, em que átomos de hidrogênio são fundidos pela força da gravidade, produzindo átomos de hélio e liberando gigantescas quantidades de energia no processo (fusão atômica). Na foto acima, as cores representam diferentes temperaturas de gases medidas pelos instrumentos do SDO, no espectro do ultravioleta extremo. As partes mais avermelhadas estão a 10 mil graus Celsius e as partes mais verdes e azuis, a 100 mil graus Celsius.
A foto abaixo, feita no espectro visível por um outro instrumento da Nasa, chamado STEREO, mostra uma monstruosa erupção solar — uma “língua” ejetada de plasma que se projeta no espaço por centenas de milhares de quilômetros. Só esse arco já é muito maior do que a Terra. Muito mesmo! Se a Terra fosse colocada sobre o Sol, seria como a cabeça de alfinete espetado sobre uma bola de futebol. Imagine só!
Fonte : (Jornal O Estado de São Paulo)

Abraços a todos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Acelerador de partículas gigante LHC



08/04/2010 - 10h17
Colisor faz 10 milhões de mini-Big Bangs em 1 semana

PUBLICIDADE

ROBERT EVANS
da Reuters, em Genebra (Suíça)
Os físicos do centro de pesquisas europeu Cern disseram nesta quarta-feira (7) que foram produzidos 10 milhões de mini-Big Bangs na primeira semana de operações.
Suas colisões de partículas ocorrem a uma altíssima potência, em uma maratona investigativa sobre os segredos do cosmos.
O porta-voz James Gillies afirmou que o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), no qual minúsculas partículas de matéria são esmagadas em frações de segundo à velocidade da luz, estava funcionando extremamente bem.

Denis Balibouse-30.mar.10/Reuters

Gráfico mostra colisão a energia total na sala de controle Compact Muon Solenoid (CMS) da máquina Grande Colisor de Hádrons (LHC)
"Tudo parece muito bom. Estamos obtendo um grande número de dados para analistas de laboratórios de todo o mundo, mesmo que levem meses ou anos para que surja algo de fato novo", afirmou Gillies.

Autoridades do Cern, o Centro Europeu para Pesquisas Nucleares, estão ávidas para superar as duas primeiras semanas de funcionamento em alta potência.

Em 2008, um lançamento anterior do LHC, a uma potência menor teve de ser paralisado por causa de um grande vazamento de uma solução de resfriamento depois de 10 dias.

O LHC possui um anel de 27 quilômetros, situado sob a fronteira entre Suíça e França, perto de Genebra,

Colisões

Os cientistas que o observam disseram que se registram agora cem colisões por segundo, o dobro da quantidade observada no primeiro dia de atividade em alta potência na semana passada.

Os feixes de partículas primeiro foram injetados para dentro do LHC e então colidiram a uma energia inédita de 7 tera -- ou 7 trilhões -- de eletronvolts (TeV) no dia 30 de março, no que os cientistas afirmam ter sido um avanço gigantesco na pesquisa sobre o cosmos.

As colisões criam simulações numa escala minúscula do Big Bang, a explosão primária ocorrida há 13,7 bilhões de anos da qual teria surgido todo o cosmos -- com suas galáxias, estrelas, planetas e enfim a vida, assim como as leis universais da física.

Ao rastrear como as partículas se comportam após colidirem, os pesquisadores do Cern esperam desvendar segredos do cosmos tais como a formação da matéria escura, ou invisível, por que a matéria ganhou massa e se há mais dimensões além das quatro que já conhecemos.

Martial Trezzini-10.mar.2010/Efe

Acelerador de partículas gigante LHC, do Laboratório Europeu de Física Nuclear (Cern), entre Suíça e França.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u717921.shtml